UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020
Recém-nascido, 20 dias, em aleitamento materno exclusivo, apresenta icterícia clinicamente evidente desde o quinto dia. Exame físico: ativo, corado, ictérico ++/4 até zona III de Kramer; ausência de visceromegalias. Exames complementares: BT 15,7mg/dl; BI 14,9mg/dl; Tipagem sanguínea: mãe: O negativo, RN: B positivo; Teste de Coombs direto: negativo. A principal hipótese diagnóstica é:
Icterícia prolongada em RN amamentado, Coombs negativo e BI predominante → Icterícia do leite materno.
A icterícia do leite materno é um diagnóstico de exclusão, caracterizada por hiperbilirrubinemia indireta prolongada em recém-nascidos saudáveis, em aleitamento materno exclusivo, sem evidência de hemólise ou outras causas patológicas.
A icterícia neonatal é um achado comum, mas a icterícia prolongada, que persiste por mais de 14 dias em recém-nascidos a termo ou 21 dias em prematuros, sempre requer investigação. A icterícia do leite materno é uma das causas mais frequentes de hiperbilirrubinemia indireta prolongada em recém-nascidos saudáveis em aleitamento materno exclusivo. Sua fisiopatologia envolve fatores no leite materno que aumentam a reabsorção entero-hepática de bilirrubina, como a beta-glucuronidase. O diagnóstico da icterícia do leite materno é de exclusão. É crucial diferenciar de outras causas patológicas de icterícia prolongada, como hipotireoidismo, infecções do trato urinário, síndromes hemolíticas (apesar do Coombs negativo neste caso, a incompatibilidade ABO pode ter Coombs negativo em alguns casos), e, principalmente, de causas de hiperbilirrubinemia direta, como atresia de vias biliares, que exigem intervenção urgente. A ausência de visceromegalias e o Coombs negativo no caso clínico fortalecem a hipótese. A conduta para a icterícia do leite materno é geralmente expectante, com monitoramento dos níveis de bilirrubina. A interrupção do aleitamento materno é raramente necessária e não é recomendada rotineiramente. A fototerapia pode ser considerada se os níveis de bilirrubina indireta atingirem patamares de risco para kernicterus, mas isso é incomum em recém-nascidos saudáveis com icterícia do leite materno. A educação dos pais sobre a benignidade da condição é fundamental.
É uma icterícia de início tardio (após 3-5 dias de vida), que pode persistir por semanas ou meses, com predomínio de bilirrubina indireta, em recém-nascidos saudáveis e em aleitamento materno exclusivo.
É um diagnóstico de exclusão. Deve-se afastar hemólise (Coombs negativo, reticulócitos normais), infecções, hipotireoidismo e atresia de vias biliares (que cursa com bilirrubina direta elevada).
Geralmente não requer interrupção do aleitamento. O tratamento é conservador, com acompanhamento dos níveis de bilirrubina. Fototerapia pode ser indicada em casos de níveis muito elevados, mas raramente é necessária.
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