HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Lactente do sexo feminino de 30 dias de vida é levada à consulta de puericultura. Nasceu a termo, parto normal, pré-natal adequado, sem complicações na gestação ou no parto. A tipagem sanguínea da paciente é A positivo e a da mãe é O positivo. Recebeu alta da maternidade com 48 horas de vida, em aleitamento materno exclusivo. A mãe notou a pele da paciente mais amarelada desde os 3 dias de vida, que se manteve assim até o momento. Ela teve ganho ponderal de 25g/dia. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral, ativa e reativa, ictérica até a zona 3. Abdome com fígado a 3cm do rebordo costal direito. Restante do exame clínico normal. Qual é a conduta para esta paciente?
Lactente > 2 semanas com icterícia → sempre investigar colestase (BT/BD), mesmo com icterícia do leite materno como principal hipótese.
Em lactentes com icterícia prolongada (após 2 semanas de vida), mesmo que a icterícia do leite materno seja a causa mais comum, é imperativo descartar colestase. A dosagem de bilirrubina total e frações é essencial para diferenciar icterícia indireta (leite materno, fisiológica) de icterícia direta (colestase), que requer investigação urgente.
A icterícia neonatal é um achado comum, mas quando se prolonga por mais de duas semanas em um recém-nascido a termo, requer atenção especial. A icterícia do leite materno é a causa mais frequente de icterícia prolongada em lactentes em aleitamento exclusivo, sendo uma condição benigna que não exige interrupção da amamentação e geralmente se resolve espontaneamente. No entanto, a persistência da icterícia sempre levanta a necessidade de descartar condições mais graves. O diagnóstico diferencial da icterícia prolongada inclui a icterícia do leite materno, mas também patologias como a síndrome colestática neonatal, que pode ser causada por atresia de vias biliares, deficiência de alfa-1-antitripsina, infecções congênitas (TORCH), erros inatos do metabolismo, entre outras. A atresia de vias biliares é uma emergência cirúrgica e seu prognóstico está diretamente relacionado ao diagnóstico e intervenção precoces. A conduta inicial para um lactente com icterícia prolongada, mesmo com bom ganho ponderal e estado geral, deve incluir a dosagem de bilirrubina total e frações. A presença de hiperbilirrubinemia direta (bilirrubina direta > 1 mg/dL ou > 20% da bilirrubina total) é um sinal de alerta para colestase e exige investigação imediata para identificar a etiologia e iniciar o tratamento adequado, evitando complicações hepáticas graves.
A icterícia é considerada prolongada quando persiste por mais de 14 dias em recém-nascidos a termo ou mais de 21 dias em prematuros. Nesses casos, uma investigação mais aprofundada é necessária.
A principal causa é a icterícia do leite materno, que é benigna e pode persistir por várias semanas. No entanto, outras causas mais graves, como a colestase, devem ser descartadas.
A dosagem de bilirrubina total e frações é crucial para identificar a presença de hiperbilirrubinemia direta (colestase), que indica uma patologia hepática ou biliar subjacente e requer investigação e intervenção urgentes.
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