Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2020
Recém-nascido de 20 dias, em aleitamento materno exclusivo, apresenta icterícia clinicamente evidente desde o quinto dia. Exame físico: ativo, corado, ictérico ++/4 até zona III de Kramer; ausência de visceromegalias. Exames complementares: BT: 15,7mg/dl; BI: 14,9mg/dl; Tipagem sanguínea: mãe: O negativo, RN: B positivo; Teste de Coombs direto: negativo. A principal hipótese diagnóstica é:
Icterícia prolongada em RN >7 dias, aleitamento exclusivo, BI predominante, Coombs negativo → Icterícia do leite materno.
A icterícia do leite materno é um diagnóstico de exclusão, comum em RN a termo em aleitamento exclusivo, com início após o 3º-5º dia e pico na 2ª semana. Caracteriza-se por hiperbilirrubinemia indireta prolongada, sem sinais de hemólise ou colestase.
A icterícia neonatal é uma condição comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. A icterícia do leite materno é uma das causas mais frequentes de hiperbilirrubinemia indireta prolongada em neonatos saudáveis em aleitamento materno exclusivo, sendo importante para o residente saber diferenciá-la de outras causas mais graves. A fisiopatologia da icterícia do leite materno envolve fatores presentes no leite materno (como a beta-glucuronidase) que aumentam a reabsorção entero-hepática da bilirrubina, prolongando a icterícia fisiológica. O diagnóstico é de exclusão, baseado na história clínica (RN a termo, aleitamento exclusivo, bom estado geral, ausência de sinais de hemólise ou colestase) e exames laboratoriais (predomínio de bilirrubina indireta, Coombs negativo). O tratamento geralmente não é necessário, e o aleitamento materno deve ser mantido. Em casos de níveis muito elevados de bilirrubina, a fototerapia pode ser indicada. A interrupção temporária do aleitamento materno é uma medida controversa e raramente indicada, devendo ser considerada apenas em situações específicas e sob orientação médica, pois pode prejudicar o estabelecimento do aleitamento. O prognóstico é excelente, sem sequelas a longo prazo.
A icterícia do leite materno manifesta-se como coloração amarelada da pele e escleras, geralmente a partir do 5º dia de vida, podendo persistir por semanas. O RN geralmente está ativo, bem-hidratado e sem outros sinais de doença.
A diferenciação envolve a exclusão de outras causas, como incompatibilidade sanguínea (Coombs negativo), infecções, atresia de vias biliares (bilirrubina direta normal) e icterícia por falha no aleitamento (RN bem-hidratado, ganho de peso adequado).
Na maioria dos casos, a icterícia do leite materno não requer interrupção do aleitamento ou tratamento específico, apenas acompanhamento. Em níveis muito elevados de bilirrubina, pode-se considerar fototerapia, mas a interrupção do aleitamento é raramente necessária e deve ser temporária.
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