HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023
Homem de 70 anos procurou atendimento médico por apresentar desconforto abdominal em região epigástrica há 2 meses, com irradiação para hipocôndrio direito, acompanhada de náuseas e icterícia que se iniciou há 2 semanas. Nega vômitos, febre ou emagrecimento. Refere ter sido submetido a laparotomia há 23 anos por ferimento penetrante abdominal. Ao exame: icterícia evidente, sinais vitais normais, sem alterações no exame abdominal. O médico solicitou exames laboratoriais, que detectaram aumento expressivo da bilirrubina indireta e transaminases (fosfatase alcalina e GGT normais) e exames de imagem – ultrassom de abdome superior normal e colangioressonância abaixo demonstrada.(Legenda: CBD: ducto biliar comum; DP: ducto pancreático) Diante dos achados, o médico deverá solicitar, na investigação do paciente:
Icterícia + ↑ Bilirrubina indireta + ↑ Transaminases + FA/GGT normais + USG/MRCP normal → Lesão hepatocelular, investigar hepatites virais.
A elevação predominante da bilirrubina indireta e transaminases, com fosfatase alcalina e GGT normais, sugere um padrão de lesão hepatocelular, e não obstrutivo. A normalidade dos exames de imagem (USG e colangioressonância) reforça a ausência de obstrução biliar, direcionando a investigação para causas parenquimatosas, como as hepatites virais.
A icterícia é um sinal clínico comum que exige uma abordagem diagnóstica sistemática para determinar sua etiologia. A diferenciação entre icterícia hepatocelular e colestática é o primeiro passo crucial, guiada principalmente pelos exames laboratoriais de função hepática. Compreender os padrões enzimáticos é fundamental para direcionar a investigação e evitar procedimentos invasivos desnecessários. A icterícia hepatocelular ocorre devido à disfunção dos hepatócitos, resultando em comprometimento da captação, conjugação ou excreção da bilirrubina. Laboratorialmente, caracteriza-se por elevação significativa das transaminases (AST e ALT), com ou sem aumento da bilirrubina (direta e/ou indireta), e níveis normais ou discretamente elevados de fosfatase alcalina (FA) e gama-glutamil transferase (GGT). A normalidade dos exames de imagem da via biliar, como ultrassonografia e colangioressonância, reforça a ausência de obstrução. Diante de um padrão hepatocelular sem evidência de obstrução, a investigação deve focar em causas parenquimatosas do fígado. As hepatites virais agudas (A, B, C, E) são etiologias comuns e devem ser rastreadas com sorologias específicas. Outras causas incluem hepatite autoimune, lesão hepática induzida por drogas, doença de Wilson e hemocromatose. O tratamento é direcionado à causa subjacente, e o prognóstico varia conforme a etiologia e a gravidade da lesão hepática.
Na icterícia hepatocelular, há elevação predominante de bilirrubina indireta e transaminases (AST/ALT), enquanto fosfatase alcalina e gama-GT (GGT) permanecem normais ou discretamente elevadas. Na colestática, FA e GGT são marcadamente elevadas.
A colangioressonância avalia a via biliar em busca de obstruções. Se o padrão laboratorial sugere lesão hepatocelular e não colestase, e a imagem é normal, isso reforça que a causa da icterícia não é obstrutiva, mas sim parenquimatosa.
As principais causas incluem hepatites virais (A, B, C, E), hepatite alcoólica, hepatite autoimune, lesão hepática induzida por drogas, e algumas doenças metabólicas. A sorologia para hepatites virais é uma investigação inicial crucial.
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