Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
A icterícia fisiológica acomete cerca de 2/3 dos recém-nascidos de termo, devendo ser distinguida da icterícia secundária a doenças. Pode-se afirmar que, nesta população:
Icterícia fisiológica = ↑ massa eritrocitária + ↓ vida média das hemácias + imaturidade enzimática hepática.
A icterícia fisiológica decorre de um desequilíbrio transitório entre a produção aumentada de bilirrubina (hemólise fisiológica) e a capacidade limitada de conjugação e excreção hepática.
A icterícia fisiológica é um fenômeno comum e geralmente benigno. Sua gênese é multifatorial: 1) Sobrecarga de bilirrubina ao hepatócito devido à maior massa eritrocitária e menor sobrevida das hemácias; 2) Deficiência na captação de bilirrubina do plasma pelas proteínas Y e Z; 3) Conjugação hepática deficiente pela baixa atividade da uridina difosfoglucuronosiltransferase (UGT1A1); e 4) Aumento da circulação êntero-hepática. Diferente da icterícia patológica, ela não costuma atingir níveis neurotóxicos em RNs a termo saudáveis. O entendimento desses mecanismos ajuda o pediatra a tranquilizar a família e a identificar quando a icterícia foge do padrão esperado, exigindo investigação para hemólise, infecção ou doenças metabólicas.
Eles possuem uma massa de glóbulos vermelhos maior (hematócrito elevado) e suas hemácias têm uma vida média mais curta (cerca de 70-90 dias) em comparação com adultos (120 dias), resultando em maior turnover de hemoglobina.
No RN, a baixa flora intestinal e a presença da enzima beta-glucuronidase na mucosa intestinal desconjugam a bilirrubina direta, permitindo sua reabsorção para o sangue como bilirrubina indireta, aumentando os níveis séricos.
Quando surge nas primeiras 24 horas de vida, quando os níveis de bilirrubina sobem muito rápido (>5mg/dL/dia), quando ultrapassam os limites de normalidade para a idade gestacional ou quando há aumento da bilirrubina direta.
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