Icterícia Colestática: Diagnóstico e Sinais Chave

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 72 anos, relata olhos e pele amarelos há duas semanas, acompanhados de prurido cutâneo difuso, principalmente à noite. Sem outros sintomas. Alguns dias antes do início do quadro, percebeu sua urina mais escura. Não observou as características das fezes. Exame físico: ictérico, com escoriações no tronco e nos membros. Sem outras alterações. Qual é a alteração do metabolismo da bilirrubina mais provável?

Alternativas

  1. A) Deficiência de produção da fração conjugada.
  2. B) Deficiência da captação da fração indireta.
  3. C) Prejuízo da excreção da fração conjugada.
  4. D) Aumento da produção da fração indireta.

Pérola Clínica

Icterícia + prurido + urina escura → colestase (prejuízo na excreção da bilirrubina conjugada).

Resumo-Chave

A tríade de icterícia, prurido e urina escura é altamente sugestiva de colestase, que é um prejuízo no fluxo biliar e, consequentemente, na excreção da bilirrubina conjugada (direta). A bilirrubina conjugada, por ser hidrossolúvel, é filtrada pelos rins, tornando a urina escura. O acúmulo de sais biliares na pele causa o prurido.

Contexto Educacional

A icterícia é a coloração amarelada da pele e mucosas devido ao acúmulo de bilirrubina. A diferenciação entre os tipos de icterícia (pré-hepática, hepática e pós-hepática) é fundamental para o diagnóstico e manejo. A apresentação clínica do paciente, com icterícia, prurido difuso e urina escura, aponta fortemente para uma icterícia colestática, que é um tipo de icterícia pós-hepática ou intra-hepática com prejuízo da excreção biliar. No metabolismo da bilirrubina, a bilirrubina indireta (não conjugada) é produzida a partir da degradação do heme, transportada para o fígado, onde é conjugada (transformada em bilirrubina direta) e excretada na bile. Na colestase, há um impedimento no fluxo biliar, levando ao acúmulo de bilirrubina conjugada no sangue. Por ser hidrossolúvel, a bilirrubina conjugada é filtrada pelos rins, escurecendo a urina. O prurido é causado pelo acúmulo de sais biliares na pele. O diagnóstico da colestase envolve exames laboratoriais (bilirrubina total e frações, enzimas hepáticas como fosfatase alcalina e gama-GT elevadas) e exames de imagem (ultrassonografia, colangiopancreatografia por ressonância magnética - CPMR) para identificar a causa da obstrução. O tratamento depende da etiologia subjacente, podendo variar de manejo clínico a intervenções cirúrgicas ou endoscópicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da icterícia colestática?

Os principais sinais clínicos da icterícia colestática incluem icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas), prurido cutâneo difuso (especialmente noturno), urina escura (colúria) e, frequentemente, fezes claras (acolia fecal), além de escoriações na pele devido ao ato de coçar.

Por que a urina fica escura na icterícia colestática?

Na icterícia colestática, há um acúmulo de bilirrubina conjugada (direta) no sangue devido ao impedimento do fluxo biliar. Como a bilirrubina conjugada é hidrossolúvel, ela é filtrada pelos rins e excretada na urina, conferindo-lhe uma coloração escura (colúria).

Como diferenciar a icterícia por bilirrubina direta da indireta?

A diferenciação é feita pela dosagem das frações de bilirrubina. A icterícia por bilirrubina direta (conjugada) predomina na colestase e doenças hepáticas, cursando com urina escura e prurido. A icterícia por bilirrubina indireta (não conjugada) predomina na hemólise ou síndromes de captação/conjugação, sem urina escura ou prurido.

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