USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Homem, 52 anos, apresenta fadiga e icterícia progressiva nos últimos 15 dias. Etilista há mais de 10 anos (90g de álcool/dia), com última ingestão alcoólica na véspera do início dos sintomas.Exame físico: ictérico, presença de aranhas vasculares no tórax e sinal do semicirculo de Skoda. Laboratorio: bilirrubina total: 16 mg/dL (VR ≤1,2), bilirrubina direta: 12 mg/dL (VR ≤0,8) AST: 105 U/L (VR ≤32); ALT: 48 U/L (VR ≤38); gama-GT: 280 U/L (VR ≤70); INR: 1,6. Investigação laboratorial do quadro descartou etiologias viral, autoimune, metabólica e tóxica por medicamento.Qual é a conduta inicial mais adequada?
Icterícia + etilismo + colestase laboratorial → USG abdome para excluir obstrução biliar.
Paciente com histórico de etilismo crônico e icterícia progressiva, com padrão laboratorial de colestase (bilirrubina direta elevada, GGT muito elevada, AST/ALT com AST > ALT), deve ter uma obstrução biliar extra-hepática excluída. A ultrassonografia de abdome é o exame inicial de escolha para avaliar as vias biliares e descartar causas obstrutivas, como cálculos ou tumores, que podem coexistir ou mimetizar a hepatopatia alcoólica.
A icterícia em pacientes com histórico de etilismo crônico é um sinal de alerta que exige investigação cuidadosa. Embora a hepatite alcoólica e a cirrose descompensada sejam causas comuns, é imperativo descartar outras etiologias, especialmente as obstrutivas das vias biliares, que podem ser tratáveis e ter um prognóstico diferente. A fisiopatologia da icterícia pode ser multifatorial em etilistas, envolvendo lesão hepatocelular direta pelo álcool, colestase intra-hepática ou, como importante diferencial, obstrução extra-hepática. O exame físico com aranhas vasculares e sinal de Skoda sugere doença hepática crônica, mas não exclui uma causa obstrutiva aguda. O perfil laboratorial com bilirrubina direta elevada e GGT muito alta reforça a hipótese de colestase. A conduta inicial mais adequada é a ultrassonografia de abdome. Este exame é não invasivo, de baixo custo e altamente eficaz para visualizar as vias biliares intra e extra-hepáticas, identificando dilatações, cálculos ou massas que possam estar causando a obstrução. Somente após descartar uma causa obstrutiva é que se deve focar exclusivamente nas causas parenquimatosas da icterícia.
A ultrassonografia de abdome é crucial para diferenciar entre causas intra-hepáticas e extra-hepáticas de colestase. Em etilistas, é fundamental para excluir obstruções biliares, como cálculos ou tumores, que podem ser a causa da icterícia ou coexistir com a doença hepática alcoólica e exigir intervenção específica.
Achados laboratoriais que sugerem colestase incluem elevação predominante da bilirrubina direta (conjugada), aumento significativo da gama-GT (GGT) e da fosfatase alcalina. A relação AST/ALT > 2, como no caso, é sugestiva de hepatopatia alcoólica, mas não exclui colestase extra-hepática.
A endoscopia digestiva alta é indicada para avaliar varizes esofágicas em casos de hipertensão portal, mas não é a conduta inicial para investigar a causa da icterícia. Primeiro, deve-se descartar uma causa obstrutiva biliar com exames de imagem como a ultrassonografia, que é menos invasiva e mais rápida para essa finalidade.
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