SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
O médico é chamado no alojamento conjunto para avaliar um recém-nascido ictérico até a raiz da coxa. Nasceu de parto cesáreo, com 36 semanas de idade gestacional, está com 36 horas de vida e com dificuldade na amamentação. A mãe é do tipo sanguíneo A+, e o bebê, B+. Com base nessas informações, pode-se suspeitar que o mecanismo causador da icterícia é:
Dificuldade na amamentação → ↓ trânsito intestinal → ↑ circulação entero-hepática → icterícia precoce.
A icterícia associada à amamentação ineficaz ocorre precocemente devido à baixa ingesta calórica, que lentifica o trânsito intestinal e favorece a reabsorção de bilirrubina via ciclo entero-hepático.
A icterícia neonatal é uma das condições mais comuns no período neonatal, afetando a maioria dos recém-nascidos. A distinção entre causas fisiológicas e patológicas é crucial. Em recém-nascidos pré-termo tardios (34 a 36 semanas), como o do caso, o risco de hiperbilirrubinemia grave é maior devido à imaturidade enzimática hepática e maior probabilidade de dificuldades na amamentação. O manejo foca em otimizar a técnica de amamentação para garantir aporte calórico e hídrico adequado, reduzindo a reabsorção intestinal de bilirrubina.
A icterícia do aleitamento materno ocorre na primeira semana de vida (geralmente entre o 2º e 5º dia) e é causada pela baixa ingesta de leite, o que leva à desidratação relativa e aumento da circulação entero-hepática da bilirrubina. Já a icterícia do leite materno é mais tardia, iniciando-se após a primeira semana, e está relacionada a substâncias no leite materno (como a beta-glucuronidase) que interferem no metabolismo da bilirrubina, sendo geralmente uma condição benigna que não exige interrupção da amamentação.
A escala de Kramer correlaciona a progressão cefalocaudal da icterícia com níveis séricos aproximados de bilirrubina. A zona 1 (cabeça e pescoço) indica níveis em torno de 6 mg/dL; a zona 2 (até umbigo) 9 mg/dL; a zona 3 (até joelhos) 12 mg/dL; a zona 4 (membros) 15 mg/dL; e a zona 5 (palmas e plantas) acima de 15 mg/dL. No caso clínico, a icterícia até a raiz da coxa sugere zona 3, indicando necessidade de dosagem sérica ou transcutânea imediata.
No recém-nascido, a ausência de flora bacteriana intestinal impede a conversão da bilirrubina conjugada em urobilinogênio. A enzima beta-glucuronidase, presente na mucosa intestinal, desconjuga a bilirrubina, permitindo sua reabsorção para a corrente sanguínea. Quando há baixa ingesta (dificuldade na amamentação), o trânsito intestinal lentificado aumenta o tempo de contato da bilirrubina com a mucosa, potencializando essa reabsorção e elevando os níveis de bilirrubina indireta.
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