UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Recém-nascido termo adequado para idade gestacional, 23 dias de vida, em aleitamento materno exclusivo. Diurese e evacuação normais. Ganho de peso de 45g/dia. Exame físico: bom estado geral, corado, icterícia até cicatriz umbilical. Exames laboratoriais: hemoglobina=14,3g/dL; hematócrito=40%; leucócitos=8.200/mm³; plaquetas=320.000/mm³; bilirrubina total=10,5mg/dL; bilirrubina direta=0,5mg/dL; tipagem sanguínea mãe=O+; tipagem sanguínea recém-nascido=O+; exame do pezinho normal.A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
RN > 14 dias, aleitamento exclusivo, bom ganho de peso, BT ↑ indireta, BD normal → Icterícia do aleitamento materno.
A icterícia prolongada em um recém-nascido em aleitamento materno exclusivo, com bom ganho de peso, diurese e evacuação normais, e predominância de bilirrubina indireta, é altamente sugestiva de icterícia do aleitamento materno. É uma condição benigna, mas exige exclusão de outras causas.
A icterícia neonatal é um dos problemas mais comuns no período neonatal, e a icterícia prolongada (que persiste por mais de 14 dias em RN a termo ou 21 dias em pré-termo) é um tema frequente em provas de residência. É fundamental para o residente saber diferenciar as causas benignas das patológicas. A icterícia do aleitamento materno é uma das causas mais comuns de icterícia prolongada em recém-nascidos saudáveis. A fisiopatologia da icterícia do aleitamento materno não é totalmente compreendida, mas acredita-se que substâncias presentes no leite materno (como a beta-glucuronidase) possam aumentar a reabsorção entero-hepática de bilirrubina. É crucial que o diagnóstico seja feito por exclusão, garantindo que não haja outras causas subjacentes, especialmente aquelas que cursam com hiperbilirrubinemia direta, que é sempre patológica e pode indicar condições graves como atresia de vias biliares. O manejo da icterícia do aleitamento materno geralmente é conservador, com manutenção do aleitamento materno e acompanhamento. A interrupção temporária do aleitamento é raramente necessária e deve ser cuidadosamente ponderada. A educação dos pais sobre a benignidade da condição é importante, enquanto se mantém a vigilância para sinais de alerta.
A icterícia do aleitamento materno geralmente se inicia após o 3º-5º dia de vida, pode persistir por semanas ou meses, e ocorre em RNs em aleitamento materno exclusivo com bom estado geral, bom ganho de peso e bilirrubina predominantemente indireta.
A diferenciação envolve a avaliação do estado geral do RN, ganho de peso, características das fezes e urina, e exames laboratoriais. A icterícia do aleitamento materno cursa com bilirrubina direta normal, enquanto causas patológicas como atresia de vias biliares cursam com bilirrubina direta elevada.
Na maioria dos casos, não é necessário interromper o aleitamento materno. A conduta é expectante, com acompanhamento do nível de bilirrubina e do estado geral do bebê. Em casos de níveis muito elevados, fototerapia pode ser considerada, mas é rara a necessidade de interrupção temporária do aleitamento.
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