UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Primigesta, 15 anos, idade gestacional de 38 semanas e 5 dias, sorologias negativas, tipo sanguíneo A positivo e RN O negativo, com Coombs direto negativo, sem intercorrência durante o pré-natal. Parto normal, APGAR de 9/10 e peso de nascimento de 3100g. Com 80 horas de vida, seu peso era de 2710g e foi percebido que o RN se encontrava ictérico até zona IV de Kramer. A causa para essa icterícia é
Icterícia neonatal tardia (após 72h) + perda de peso significativa + Coombs negativo → Icterícia do aleitamento materno (aumento circulação entero-hepática).
A icterícia que surge após 72 horas de vida, com perda de peso significativa e Coombs direto negativo, em um RN a termo e saudável, é altamente sugestiva de icterícia do aleitamento materno. Isso ocorre devido à ingestão inadequada de leite, que leva à desidratação, aumento da circulação entero-hepática e consequente elevação da bilirrubina indireta.
A icterícia neonatal é um achado comum, afetando até 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. A maioria dos casos é fisiológica, mas é crucial diferenciar as causas benignas das patológicas para prevenir complicações como o kernicterus. A icterícia é a coloração amarelada da pele e escleras devido ao acúmulo de bilirrubina, predominantemente indireta, no sangue. No caso apresentado, a icterícia que surge após 72 horas de vida, em um RN a termo com Coombs negativo e perda de peso significativa (390g em 80h, ~12.5% do peso de nascimento), é altamente sugestiva de icterícia do aleitamento materno (ou por amamentação). Esta condição é causada pela ingestão inadequada de leite, que leva à desidratação, diminuição da motilidade intestinal e, consequentemente, ao aumento da circulação entero-hepática da bilirrubina, elevando seus níveis séricos. O manejo da icterícia do aleitamento materno envolve a otimização da amamentação, garantindo que o bebê receba leite suficiente, com frequência e técnica adequadas. Em alguns casos, pode ser necessária a suplementação temporária ou fototerapia, dependendo dos níveis de bilirrubina e da idade gestacional. É fundamental monitorar o peso e a hidratação do RN.
A icterícia do aleitamento materno (ou por amamentação) ocorre nos primeiros dias de vida, associada à ingestão inadequada de leite e perda de peso, aumentando a circulação entero-hepática. A icterícia do leite materno é mais tardia (após 4-7 dias), pode persistir por semanas e não está ligada à ingestão inadequada, mas a fatores no leite que inibem a conjugação.
A perda de peso significativa indica ingestão inadequada de leite, o que leva à desidratação e à diminuição da motilidade intestinal. Isso retarda a eliminação de bilirrubina pelas fezes e aumenta sua reabsorção via circulação entero-hepática.
Fatores de risco incluem prematuridade, incompatibilidade sanguínea (ABO/Rh), deficiência de G6PD, cefalohematoma, irmãos com icterícia que necessitaram de fototerapia, icterícia nas primeiras 24 horas de vida e aleitamento materno exclusivo com dificuldade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo