SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022
Homem, 90 anos, com diagnóstico de demência por Alzheimer em fase inicial, independente para as suas atividades de vida diária. Reside com uma neta, mas é independente para as suas atividades de vida diária e por isso passa grandes intervalos do dia desacompanhado. Há 6 meses procurou ortopedista por quadro de dor em joelhos que o incomodava de longa data. Recebeu prescrição de anti-inflamatório não-esteroidal, que vem usando quase diariamente desde então. Hoje, durante consulta com sua médica de família, queixou-se de persistência das dores articulares, além de aparecimento de dor epigástrica e fezes escurecidas no último mês. Na última semana apresentou dois episódios de tonteira seguidos de queda da própria altura ao se levantar da cama. Ao exame apresenta-se hipocorado e taquicardiaco. O quadro clínico atual da paciente está mais relacionado a qual das condições abaixo?
Idoso com polifarmácia + AINEs crônicos → Alta chance de iatrogenia (sangramento GI, quedas).
O uso crônico de AINEs em idosos, especialmente com comorbidades como demência e risco de quedas, é um fator de risco significativo para iatrogenia, manifestando-se como sangramento gastrointestinal e tontura, que pode levar a quedas.
A população idosa é particularmente vulnerável à iatrogenia, definida como qualquer condição adversa resultante de uma intervenção médica. A polifarmácia e as alterações fisiológicas do envelhecimento, que afetam a farmacocinética e farmacodinâmica, contribuem significativamente para esse risco. No caso apresentado, o paciente idoso com demência por Alzheimer e uso quase diário de anti-inflamatório não-esteroidal (AINE) desenvolveu dor epigástrica, fezes escurecidas (sugestivo de sangramento gastrointestinal) e tontura com quedas. Esses sintomas são classicamente associados aos efeitos adversos dos AINEs, que podem causar úlceras e sangramentos, além de tontura e hipotensão. A identificação de iatrogenia é crucial na geriatria. A revisão da medicação, a busca por alternativas mais seguras para o controle da dor e a monitorização de sintomas são passos essenciais. A tontura e as quedas, embora multifatoriais em idosos, podem ser exacerbadas por medicamentos, exigindo uma avaliação cuidadosa da farmacoterapia.
O uso crônico de AINEs em idosos aumenta o risco de sangramento gastrointestinal, insuficiência renal aguda, hipertensão arterial e descompensação de insuficiência cardíaca, além de interações medicamentosas.
Pacientes com demência podem ter dificuldade em seguir prescrições, esquecer doses ou tomar medicamentos em excesso, além de serem mais vulneráveis aos efeitos adversos devido à fragilidade e comorbidades.
A prevenção inclui a revisão regular da lista de medicamentos (deprescribing), uso de doses mínimas eficazes, consideração de alternativas não farmacológicas e educação do paciente e cuidadores sobre os riscos.
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