UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2021
Paciente AFG, sexo feminino, 82 anos, com diagnósticos prévios de Doença de Alzheimer há cerca de 10 anos, HAS e incontinência urinária. Está em uso de quetiapina 100 mg 12/12 horas, clonazepam 10 gotas de 12/12 horas e furosemida 40 mg de 12/12 horas. No momento, encontra-se totalmente dependente às atividades de vida diária. Filha vem ao Pronto Atendimento queixando-se de agitação importante, dificuldade para dormir com alucinações visuais (acorda e fala com crianças que “estão fazendo bagunça pela casa”). Em algumas ocasiões, não reconhece os filhos e nem a si própria. Além disso, vem apresentando nos últimos anos perda de peso gradativa (> 5 kg nos últimos 3 meses com circunferência da panturrilha de 24 cm) associado a disfagia, úlcera por pressão e contratura muscular difusa (encurtamento muscular). As principais síndromes geriátricas identificadas são:
Idoso com polifarmácia, agitação, alucinações e declínio funcional → suspeitar de iatrogenia e síndrome de imobilidade.
A paciente idosa apresenta um quadro complexo com polifarmácia (quetiapina, clonazepam, furosemida) que pode levar a iatrogenia, manifestada por agitação e alucinações (delirium induzido por medicamentos). Além disso, a dependência total, perda de peso, disfagia, úlcera por pressão e contraturas musculares são claros sinais da síndrome de imobilidade e fragilidade.
O caso da paciente AFG ilustra a complexidade da geriatria, onde múltiplas condições e fatores interagem. As síndromes geriátricas são condições multifatoriais que afetam a funcionalidade e a qualidade de vida do idoso. No cenário apresentado, a polifarmácia, com uso de quetiapina, clonazepam e furosemida, é um forte indicativo de iatrogenia, que se manifesta por agitação e alucinações (sugestivo de delirium induzido por fármacos). Além da iatrogenia, a paciente exibe múltiplos sinais da síndrome de imobilidade: dependência total para atividades de vida diária, perda de peso significativa, disfagia, úlcera por pressão e contraturas musculares difusas. Essas manifestações refletem um declínio funcional progressivo e a perda da capacidade de se mover e realizar tarefas básicas, o que aumenta a morbimortalidade e a sobrecarga do cuidador. Para residentes, é crucial reconhecer que a agitação e as alucinações em idosos, especialmente aqueles com demência e em polifarmácia, devem sempre levantar a suspeita de delirium e iatrogenia. A revisão da medicação (deprescrição) e a avaliação funcional são passos essenciais na abordagem dessas síndromes, visando melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações graves como as úlceras por pressão e as contraturas.
A polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos) aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos e cascata prescritiva, levando a sintomas como agitação, delirium, quedas e hipotensão, que são manifestações de iatrogenia.
A síndrome de imobilidade se manifesta por dependência nas atividades de vida diária, fraqueza muscular, contraturas, úlceras por pressão, disfagia, perda de peso e risco aumentado de infecções, refletindo um declínio funcional progressivo.
O delirium é um distúrbio agudo da atenção e cognição, com flutuações ao longo do dia e início súbito, frequentemente desencadeado por uma causa médica aguda (ex: infecção, medicação). A demência, como Alzheimer, é um declínio cognitivo crônico e progressivo, sem flutuações tão marcantes e com início insidioso.
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