IAMCSST e AVE Hemorrágico Recente: Qual a Conduta?

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 51a, é trazido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência à Unidade de Emergência Referenciada com história de dispneia e dor torácica em aperto, iniciadas há duas horas, com irradiação para o membro superior direito. Antecedentes: tabagismo, hipertensão arterial e acidente vascular encefálico hemorrágico há duas semanas. Exame físico: T=36,8ºC; PA: membro superior direito=116x92mmHg e membro superior esquerdo=112x84mmHg; FC=84bpm; FR=24irpm e oximetria de pulso=96% (ar ambiente); ausculta pulmonar com crepitações em ambas as bases. Recebeu AAS e clopidogrel no atendimento móvel. Eletrocardiograma na admissão da emergência:A CONDUTA É:

Alternativas

Pérola Clínica

IAMCSST + AVE hemorrágico recente (<3 meses) → Contraindicação trombólise; ICP primária é preferencial, mas com alto risco de sangramento.

Resumo-Chave

Em um paciente com suspeita de Síndrome Coronariana Aguda (SCA) e antecedente de AVE hemorrágico recente (2 semanas), a trombólise é absolutamente contraindicada. Se houver IAMCSST, a angioplastia primária (ICP) é a estratégia de reperfusão preferencial, mas deve ser realizada com extrema cautela devido ao elevado risco de sangramento intracraniano.

Contexto Educacional

O paciente apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de Síndrome Coronariana Aguda (SCA), com dor torácica típica, dispneia e fatores de risco cardiovascular. A presença de crepitações pulmonares pode indicar congestão, sugerindo disfunção ventricular. O desafio principal reside no antecedente de Acidente Vascular Encefálico (AVE) hemorrágico há apenas duas semanas. Em casos de Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST), a reperfusão coronariana é a prioridade. As duas principais estratégias são a trombólise farmacológica e a angioplastia coronariana primária (ICP). No entanto, um AVE hemorrágico prévio ou recente (especialmente nos últimos 3 meses) é uma contraindicação absoluta para a trombólise devido ao risco catastrófico de novo sangramento intracraniano. A ICP primária torna-se a estratégia de escolha, mas mesmo esta deve ser abordada com extrema cautela. A necessidade de antiagregação dupla (AAS e clopidogrel, já iniciados) e anticoagulação durante e após a ICP eleva substancialmente o risco de sangramento, incluindo um novo AVE hemorrágico. A conduta ideal envolve uma avaliação multidisciplinar urgente com neurologia, cardiologia intervencionista e terapia intensiva para discutir o balanço risco-benefício da ICP e a otimização do regime antitrombótico, buscando a menor dose eficaz e a menor duração possível para minimizar o risco de complicações hemorrágicas, enquanto se garante a reperfusão miocárdica.

Perguntas Frequentes

Quais as contraindicações absolutas para trombólise no IAMCSST?

As contraindicações absolutas para trombólise incluem qualquer AVE hemorrágico prévio, AVE isquêmico nos últimos 3 meses, neoplasia intracraniana, malformação arteriovenosa, trauma craniano ou facial grave recente, sangramento ativo ou diátese hemorrágica conhecida.

Qual a estratégia de reperfusão preferencial em IAMCSST com AVE hemorrágico recente?

A estratégia de reperfusão preferencial é a angioplastia coronariana primária (ICP). A trombólise é contraindicada. A ICP deve ser realizada com avaliação cuidadosa do risco-benefício devido ao risco aumentado de sangramento.

Como o AVE hemorrágico recente afeta a antiagregação e anticoagulação na SCA?

O AVE hemorrágico recente aumenta significativamente o risco de sangramento intracraniano com antiagregação dupla e anticoagulação. A decisão sobre a intensidade e duração dessas terapias deve ser individualizada e multidisciplinar, pesando o risco isquêmico coronariano contra o risco hemorrágico cerebral.

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