Conduta Médica na Lesão Intraepitelial de Alto Grau (HSIL)

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma mulher de 40 anos, multípara, com menstruações regulares, comparece a uma consulta para realizar exame de prevenção do câncer de colo uterino. No exame especular, o médico observou um colo cilíndrico, sem corrimento vaginal. Ele colheu material para a colpocitologia oncótica, e o resultado do exame mostrou lesão intraepitelial de alto grau. Qual a conduta mais adequada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Solicitar à paciente que faça nova colpocitologia e ultrassonografia pélvica.
  2. B) Encaminhar a paciente para colposcopia e solicitar realização de biópsia.
  3. C) Realizar o teste do iodo no colo uterino para confirmar o diagnóstico da paciente.
  4. D) Solicitar à paciente que faça nova colpocitologia e ressonância nuclear magnética.
  5. E) Repetir imediatamente a colpocitologia e encaminhar a paciente para colposcopia se o exame continuar alterado.

Pérola Clínica

Citologia HSIL → Colposcopia imediata + Biópsia de áreas suspeitas.

Resumo-Chave

A presença de HSIL na citologia oncótica indica alto risco de neoplasia intraepitelial cervical (NIC) graus 2 ou 3, exigindo avaliação colposcópica para diagnóstico histopatológico.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de colo uterino no Brasil segue as diretrizes do Ministério da Saúde. O achado de HSIL (Lesão Intraepitelial de Alto Grau) em mulheres acima de 25 anos é uma indicação absoluta de colposcopia. O objetivo é identificar NIC 2, NIC 3 ou câncer invasor que podem não ser visíveis ao exame especular comum. Durante a colposcopia, o uso de ácido acético e solução de Lugol ajuda a mapear o epitélio. Áreas aceto-brancas densas e iodo-negativas (Schiller positivo) são alvos prioritários para biópsia. O tratamento subsequente dependerá do resultado histopatológico, podendo envolver métodos excisionais como a Cirurgia de Alta Frequência (CAF).

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre HSIL e LSIL na conduta clínica?

LSIL (lesão de baixo grau) geralmente reflete uma infecção transitória pelo HPV e, em muitos casos, pode ser acompanhada com repetição da citologia em 6 a 12 meses (dependendo da idade). Já o HSIL (lesão de alto grau) tem uma probabilidade muito maior de estar associado a lesões pré-cancerosas verdadeiras (NIC 2 ou 3) ou mesmo carcinoma invasor, por isso exige colposcopia imediata com biópsia de qualquer área suspeita.

O que fazer se a colposcopia for insatisfatória em paciente com HSIL?

Se a junção escamocolunar (JEC) não for totalmente visível (colposcopia insatisfatória) em uma paciente com citologia HSIL, a avaliação do canal endocervical é obrigatória (através de curetagem endocervical ou avaliação com espéculo endocervical). Se a dúvida persistir, procedimentos excisionais (como o CAF ou Conização) podem ser necessários para excluir invasão.

O teste do iodo (Schiller) substitui a biópsia?

Não. O teste do iodo (Teste de Schiller) e o teste do ácido acético são ferramentas auxiliares durante a colposcopia para identificar áreas suspeitas (iodo-negativas ou aceto-brancas). O diagnóstico definitivo de uma lesão de alto grau só é confirmado através do exame histopatológico da biópsia dirigida por esses achados colposcópicos.

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