SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015
Considerando os aspectos técnicos éticos e legais relacionados a doenças infecciosas e ao atendimento de pessoas vítimas de violência sexual, julgue o item que se segue. O tratamento de lesões subclínicas de homens portadores do HPV reduz a taxa de recorrência de lesões intraepiteliais-cervicais em suas parceiras.
Tratar lesões subclínicas de HPV no homem NÃO reduz recorrência de NIC na parceira.
O tratamento de lesões subclínicas (identificadas apenas por peniscopia) em parceiros masculinos não demonstrou benefício na redução de recidivas de lesões cervicais em mulheres.
O manejo do HPV em homens difere significativamente do manejo em mulheres devido à história natural da infecção. Enquanto o rastreio citológico e o tratamento de lesões precursoras são pilares na prevenção do câncer de colo de útero, no homem, a maioria das infecções é transitória e subclínica. A prática de tratar 'lesões subclínicas' (áreas acetobrancas na peniscopia) caiu em desuso pois não elimina o vírus do epitélio e não traz benefícios epidemiológicos para a parceira. O foco atual reside na vacinação e no tratamento de condilomas acuminados visíveis para alívio de sintomas e redução da carga viral local.
Não há evidência científica que sustente o tratamento de lesões subclínicas de HPV em homens (aquelas detectadas apenas por peniscopia ou testes moleculares) como forma de reduzir a transmissão para parceiras. O tratamento é indicado apenas para lesões clínicas (verrugas genitais) ou lesões precursoras de câncer (neoplasias intraepiteliais penianas), que são raras. A peniscopia de rotina para busca de lesões subclínicas não é recomendada pelas diretrizes atuais.
Estudos clínicos demonstraram que o tratamento sistemático de parceiros sexuais masculinos de mulheres com lesões intraepiteliais cervicais (NIC) não altera a taxa de cura, a persistência ou a recorrência das lesões na mulher. O HPV é frequentemente uma infecção compartilhada pelo casal, e o foco do manejo deve ser o tratamento da lesão precursora na mulher e a orientação sobre o uso de preservativos e vacinação.
O parceiro deve ser orientado a realizar uma autoinspeção e, se notar qualquer lesão verrucosa ou suspeita, procurar avaliação médica. O exame clínico urológico minucioso é suficiente para detectar lesões clínicas que exijam tratamento. Além disso, deve-se discutir a vacinação contra o HPV, que é eficaz na prevenção de novas infecções e verrugas genitais em homens.
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