CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Gestante de 28 anos, 32 semanas, apresenta múltiplos condilomas acuminados vulvoperineais por HPV aguardando genotipagem. Não há sangramento, infecção secundária e o exame físico não demonstra obstrução do canal de parto. Segundo o Ministério da Saúde, qual é a melhor conduta quanto à via de parto?
HPV na gestação → Via de parto por indicação obstétrica (exceto se lesão obstrutiva ou hemorrágica).
A cesariana não previne a transmissão vertical do HPV nem a papilomatose respiratória do RN; a via de parto deve ser decidida por critérios obstétricos padrão.
O manejo do HPV na gestação gera frequentes dúvidas quanto à segurança do feto. É fundamental compreender que a presença de condilomas acuminados (verrugas genitais) não altera a conduta obstétrica na maioria dos casos. A transmissão vertical é um evento raro e a cesariana não se mostrou eficaz em interromper essa cadeia de transmissão. O foco deve ser o tratamento das lesões maternas para evitar seu crescimento exagerado sob influência hormonal e imunológica da gravidez. O Ministério da Saúde reforça que a via de parto deve ser baseada em critérios obstétricos usuais. A genotipagem, embora útil para estratificação de risco oncológico a longo prazo, não influencia a decisão imediata sobre a via de parto. O profissional deve tranquilizar a gestante quanto ao baixo risco de complicações neonatais e focar no acompanhamento pós-parto para resolução definitiva das lesões.
Não. Estudos demonstram que a cesariana não previne a transmissão vertical do HPV nem o desenvolvimento da papilomatose respiratória recorrente (PRR) no neonato. O vírus pode ser transmitido por via ascendente através das membranas ovulares ou mesmo por via transplacentária. Portanto, realizar uma cirurgia de maior morbidade materna sem o benefício de proteção fetal não é recomendado pelas diretrizes do Ministério da Saúde e da FEBRASGO.
A via de parto abdominal (cesariana) só está indicada em casos de HPV quando as lesões condilomatosas são tão extensas que causam obstrução mecânica do canal de parto, impedindo a passagem do feto, ou quando as lesões apresentam alto risco de sangramento excessivo durante o desprendimento fetal devido à sua friabilidade e vascularização aumentada na gestação.
O tratamento visa o controle das lesões, já que a cura do vírus não é possível. Na gestação, podem ser utilizados métodos físicos como crioterapia, eletrocauterização ou exérese cirúrgica. O uso de ácido tricloroacético (ATA) de 80-90% também é permitido. Medicamentos citotóxicos e imunomoduladores como podofilina, podofilotoxina e imiquimode são contraindicados devido ao risco de teratogenicidade ou absorção sistêmica prejudicial.
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