HPV e Câncer de Orofaringe: Fator de Risco e Prognóstico

SMS Foz do Iguaçu - Secretaria Municipal de Saúde (PR) — Prova 2025

Enunciado

Acerca de tumores de cabeça e pescoço, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Carcinomas de células escamosas na cabeça e pescoço são raramente associados ao consumo de tabaco e álcool, e fatores genéticos são os principais determinantes.
  2. B) Tumores da glândula parótida são predominantemente malignos e frequentemente requerem cirurgia radical com remoção total da glândula e nervo facial.
  3. C) A radioterapia é contraindicada no tratamento de tumores da base da língua, devido à sua localização e risco de danos aos tecidos circundantes.
  4. D) O vírus do papiloma humano (HPV) está fortemente associado ao desenvolvimento de câncer orofaringeo, particularmente em indivíduos não fumantes.
  5. E) Os papilomas invertidos do nariz e seios paranasais são lesões benignas que nunca se transformam em malignas e, portanto, não requerem tratamento agressivo.

Pérola Clínica

HPV (Papilomavírus humano) é um fator de risco estabelecido para carcinoma de orofaringe, especialmente em pacientes jovens e não tabagistas.

Resumo-Chave

A epidemiologia do câncer de orofaringe mudou com o aumento da incidência de tumores associados ao HPV. Esses tumores (HPV+) geralmente têm melhor prognóstico e resposta à quimio e radioterapia em comparação com os tumores HPV-negativos, classicamente ligados ao tabaco e álcool.

Contexto Educacional

Os tumores de cabeça e pescoço englobam um grupo heterogêneo de neoplasias. Historicamente, os principais fatores de risco para o carcinoma de células escamosas (CCE), tipo histológico mais comum, são o tabagismo e o etilismo, que atuam de forma sinérgica. Essa associação é particularmente forte para cânceres da cavidade oral, laringe e hipofaringe. No entanto, nas últimas décadas, o Papilomavírus humano (HPV), especialmente o subtipo de alto risco HPV-16, emergiu como um fator etiológico fundamental para o CCE de orofaringe (amígdalas e base da língua). Pacientes com tumores HPV-positivos tendem a ser mais jovens, não fumantes e apresentam melhor prognóstico em comparação aos pacientes com tumores HPV-negativos. A detecção da proteína p16 por imuno-histoquímica é usada como um marcador substituto para a infecção por HPV. Outros conceitos importantes incluem o fato de que a maioria dos tumores de glândula parótida (~80%) são benignos, sendo o adenoma pleomórfico o mais comum. O papiloma invertido, embora benigno, é localmente agressivo, tem alta taxa de recorrência e um risco de transformação maligna em CCE, necessitando de ressecção cirúrgica completa. A radioterapia é uma modalidade de tratamento padrão para muitos tumores de cabeça e pescoço, incluindo os da base da língua.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para um possível câncer de orofaringe?

Os sinais incluem dor de garganta persistente, dificuldade ou dor para engolir (odinofagia), sensação de 'caroço' na garganta, rouquidão e, crucialmente, o aparecimento de um linfonodo cervical aumentado e endurecido (metástase cervical).

Por que o tratamento do câncer de orofaringe HPV+ pode ser diferente?

Devido à maior sensibilidade à radioterapia e quimioterapia, protocolos de desintensificação do tratamento estão sendo estudados para tumores HPV+, buscando manter altas taxas de cura com menor toxicidade e melhores resultados funcionais para o paciente.

Como diferenciar um tumor de parótida benigno de um maligno?

Tumores benignos (maioria) são de crescimento lento, móveis e indolores. Sinais de malignidade incluem crescimento rápido, dor, paralisia do nervo facial, fixação à pele ou tecidos profundos e presença de linfonodos cervicais palpáveis.

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