HPV e Câncer de Colo do Útero: Riscos e Prevenção

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 29 anos, tabagista, em relação monogâmica com parceiro fixo, em uso de contraceptivo oral, apresenta resultado positivo para infecção cervical pelo vírus do papiloma humano (HPV). Pode-se afirmar que

Alternativas

  1. A) há risco de câncer do colo do útero se infecção persistente pelos subtipos HPV-16 e HPV-18.
  2. B) caso não seja tratada em até 6 meses apresentará alto risco de desenvolvimento de lesões percussoras.
  3. C) a relação monogâmica e uso de contraceptivo são fatores contra o desenvolvimento de câncer de colo uterino.
  4. D) a infecção cervical pelo HPV é permanente e, raramente, regride, espontaneamente.
  5. E) o tabagismo não é um fator de risco para o desenvolvimento de câncer de colo uterino. 

Pérola Clínica

Risco de câncer cervical ↑ com infecção persistente por HPV-16 e HPV-18.

Resumo-Chave

A infecção cervical pelo HPV é comum, mas o risco de câncer de colo do útero está associado à persistência da infecção por subtipos de alto risco, principalmente o HPV-16 e HPV-18. Fatores como tabagismo podem aumentar esse risco.

Contexto Educacional

A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) é a principal causa do câncer de colo do útero. Embora a maioria das infecções por HPV seja transitória e regrida espontaneamente, a persistência da infecção por subtipos de alto risco oncogênico, como o HPV-16 e HPV-18, é um fator crítico para o desenvolvimento de lesões precursoras e, posteriormente, do câncer invasivo. A epidemiologia mostra que o câncer cervical é uma das neoplasias mais comuns entre mulheres, especialmente em países em desenvolvimento. A fisiopatologia envolve a integração do DNA viral ao genoma da célula hospedeira, levando à expressão de oncoproteínas virais (E6 e E7) que inativam genes supressores tumorais (p53 e pRb, respectivamente), promovendo a proliferação celular descontrolada. Fatores coadjuvantes, como o tabagismo, a imunossupressão e o uso prolongado de contraceptivos orais, podem potencializar o risco de progressão da doença. O tabagismo, em particular, é um fator de risco bem estabelecido, pois substâncias carcinogênicas do tabaco podem ser encontradas no muco cervical, agindo sinergicamente com o HPV. O diagnóstico da infecção por HPV é feito por testes moleculares, e o rastreamento do câncer cervical é realizado principalmente pelo exame citopatológico (Papanicolau). A conduta para infecção por HPV sem lesões precursoras geralmente envolve acompanhamento, dada a alta taxa de regressão espontânea. No entanto, a identificação de subtipos de alto risco e a presença de fatores coadjuvantes reforçam a necessidade de vigilância. A vacinação contra o HPV é a principal estratégia de prevenção primária, e o tratamento de lesões precursoras é fundamental para evitar a progressão para o câncer invasivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais subtipos de HPV associados ao câncer de colo do útero?

Os principais subtipos de HPV de alto risco oncogênico, responsáveis pela maioria dos casos de câncer de colo do útero, são o HPV-16 e o HPV-18. Outros subtipos de alto risco incluem 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 66 e 68.

A infecção por HPV é sempre permanente ou pode regredir espontaneamente?

A maioria das infecções por HPV, especialmente em mulheres jovens, é transitória e regride espontaneamente em um período de 1 a 2 anos, sem causar lesões. Apenas uma pequena porcentagem de infecções persiste e pode evoluir para lesões precursoras e, eventualmente, câncer.

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de colo do útero além da infecção por HPV?

Além da infecção persistente por HPV de alto risco, outros fatores de risco incluem tabagismo, imunossupressão (como em pacientes HIV+), multiparidade, uso prolongado de contraceptivos orais, início precoce da atividade sexual e múltiplos parceiros sexuais.

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