UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 68 anos, com diagnóstico de carcinoma ductal da mama direita, fenótipo luminal A, estádio IA, submetida a setorectomia da mama com pesquisa de linfonodo sentinela. Foi indicada hormonioterapia adjuvante.A medicação a ser escolhida e seus efeitos colaterais mais frequentes são, respectivamente:
Pós-menopausa + Luminal A → Inibidor de Aromatase (IA). Efeitos: Artralgia + ↓ Densidade Óssea.
Em mulheres pós-menopausadas com câncer de mama receptor hormonal positivo, os inibidores de aromatase são superiores ao tamoxifeno na redução de recorrência, mas exigem manejo de efeitos osteoarticulares.
O tratamento do câncer de mama luminal (receptores hormonais positivos e HER2 negativo) baseia-se na privação estrogênica. No estádio IA (tumor ≤ 2cm e linfonodo negativo), a hormonioterapia adjuvante é o pilar central após a cirurgia. A escolha do agente depende do status menopausal: pré-menopausadas utilizam preferencialmente tamoxifeno (com ou sem supressão ovariana), enquanto pós-menopausadas se beneficiam mais dos inibidores de aromatase. A fisiopatologia dos efeitos colaterais dos IAs está ligada à depleção profunda de estrogênio sistêmico, que afeta o metabolismo ósseo e a homeostase das articulações. A artralgia é a causa mais comum de descontinuação do tratamento, exigindo estratégias de manejo como atividade física, troca do tipo de IA ou uso de analgésicos para garantir a adesão terapêutica por 5 a 10 anos.
Em mulheres pós-menopausadas, a principal fonte de estrogênio é a conversão periférica de androgênios pela enzima aromatase. Os IAs (como anastrozol, letrozol e exemestano) bloqueiam essa via de forma mais eficaz que o tamoxifeno (modulador seletivo do receptor de estrogênio) na redução do risco de recidiva e câncer de mama contralateral, conforme demonstrado em grandes ensaios clínicos como o ATAC e BIG 1-98.
Os efeitos mais frequentes incluem sintomas vasomotores (ondas de calor), artralgias e mialgias (síndrome musculoesquelética induzida por IA), e perda de densidade mineral óssea, aumentando o risco de osteopenia e fraturas. Diferente do tamoxifeno, os IAs não aumentam o risco de câncer de endométrio ou eventos tromboembólicos venosos significativos.
Pacientes em uso de IA devem realizar densitometria óssea basal e periódica. A suplementação de Cálcio e Vitamina D é recomendada para todas. Em casos de osteoporose ou alto risco de fratura (T-score < -2.0 ou fatores de risco), o uso de bisfosfonatos (como ácido zoledrônico) ou denosumabe é indicado, apresentando inclusive benefício adicional na sobrevida livre de doença em alguns subgrupos.
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