FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Menino de 10 anos de idade, encaminhado da oncologia infantil para discutir uso deGH (hormônio de crescimento). Fez tratamento para ependimoma aos 6 anos de idadecom cirurgia, quimioterapia e radioterapia. História familiar: mãe com 168 cm. Pai com180 cm. Desde os 7 anos, faz uso de prednisona 1mg/dia e levotiroxina 25 μg/dia, pordiagnóstico de hipopituitarismo parcial após tratamento do tumor no SNC. Apresentaestatura - 4DP, Tanner G1P1 com velocidade de crescimento de 2cm por ano, observadonos dados antropométricos dos últimos 2 anos. Nos exames: Ressonância de crânio semlesões residuais. TSH: 1,5 mUI/ml (VR: 0,4 a 5,1); T4 livre: 0,4 ng/dl (VR: 0,8 a 1,6),e IGF-I:25 ng/ml (40-255). Diante desse caso, qual a conduta?
T4L baixo + TSH 'normal' = Hipotireoidismo Central. Tratar antes de avaliar GH.
Em sobreviventes de tumores de SNC, a baixa estatura com velocidade de crescimento reduzida exige investigação de hipopituitarismo; o GH pode ser usado após estabilidade oncológica.
O tratamento de tumores do sistema nervoso central na infância, especialmente com radioterapia, frequentemente resulta em sequelas endócrinas tardias. O eixo do GH é o mais sensível à radiação, seguido pelo eixo tireotrófico e gonadotrófico. O diagnóstico de deficiência de GH (DGH) nesses casos pode ser feito pela clínica (baixa VC) e IGF-1 baixo, muitas vezes dispensando testes de estímulo se houver outras deficiências hipofisárias confirmadas. É fundamental garantir que o hipotireoidismo central esteja adequadamente tratado (T4L no terço superior do valor de referência) antes de concluir a falha de crescimento por DGH, pois o hormônio tireoidiano é permissivo para a ação do GH no disco epifisário.
O hipotireoidismo central é caracterizado por níveis baixos de T4 livre (T4L) associados a um TSH que pode estar baixo, 'normal' ou levemente elevado, mas inapropriado para o nível de T4L. Em pacientes com histórico de tumor de SNC ou radioterapia craniana, o TSH não é um guia confiável para ajuste de dose; deve-se focar na normalização do T4L.
O uso de somatropina (GH) em sobreviventes de câncer infantil geralmente é considerado seguro após um período de estabilidade oncológica (frequentemente 1 a 2 anos após o término do tratamento), desde que não haja evidência de recidiva tumoral na neuroimagem. A decisão deve ser compartilhada entre endocrinologista e oncologista.
A velocidade de crescimento (VC) reflete o estado anabólico atual da criança. Uma VC de 2cm/ano em uma criança de 10 anos é patológica (abaixo do percentil 10-25 para a idade). No contexto de baixa estatura severa (-4 DP) e IGF-1 baixo, a deficiência de GH é altamente provável após o tratamento de ependimoma.
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