HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Homem, 27 anos, vítima de ferimento contuso em hemitórax direito. Apresenta-se consciente, dispneico, com murmúrio vesicular abolido à direita, jugulares planas, sem desvio de traqueia, saturação de O₂: 86% em ar ambiente, hipotensão arterial e taquicardia. Radiografia de tórax evidencia imagem radiopaca em hemitórax direito. Escala de coma de Glasgow = 15. Qual é a conduta mais apropriada para obter melhora da ventilação do paciente?
MV abolido + Macicez + Jugulares planas = Hemotórax → Drenagem em selo d'água.
No trauma torácico, a presença de murmúrio vesicular abolido associado à macicez à percussão (imagem radiopaca) e sinais de choque hipovolêmico (jugulares planas) define o hemotórax, exigindo drenagem imediata.
O manejo do trauma torácico segue a sistematização do ABCDE do ATLS. O hemotórax é identificado no 'B' (Breathing) e 'C' (Circulation), pois compromete tanto a ventilação quanto a estabilidade hemodinâmica. A imagem radiopaca na radiografia de tórax confirma o acúmulo de líquido (sangue) no espaço pleural. A drenagem torácica não é apenas terapêutica para expandir o pulmão, mas também diagnóstica e prognóstica, permitindo monitorar o volume de sangramento. A falha na reexpansão pulmonar ou sangramento persistente são indicações para intervenção cirúrgica definitiva (toracotomia ou videotoracoscopia).
Segundo o ATLS, a toracotomia está indicada se houver drenagem imediata de 1.500 mL de sangue (ou 1/3 do volume sanguíneo do paciente) ou se o débito contínuo for superior a 200 mL/hora nas primeiras 2 a 4 horas, indicando sangramento ativo de vasos de maior calibre.
As veias jugulares planas indicam um estado de hipovolemia. No hemotórax, o sangue acumulado no espaço pleural é retirado da circulação sistêmica, levando ao choque hemorrágico. Isso difere do pneumotórax hipertensivo ou tamponamento cardíaco, onde as jugulares ficam túrgidas por obstrução ao retorno venoso.
A técnica recomendada é a drenagem tubular em selo d'água, inserida preferencialmente no 4º ou 5º espaço intercostal, entre a linha axilar média e anterior. O dreno deve ser de grosso calibre (28-32 Fr) para permitir a saída de sangue e coágulos, promovendo a reexpansão pulmonar.
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