Linfoma: Diagnóstico em Pacientes Jovens com Sintomas B

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 21 anos, vem à consulta médica referindo dor nas costas iniciada há cerca de 3 meses. Nega problemas prévios de saúde e nega quadro infeccioso recente. Relata perda de peso concomitante de 10 kg, não intencional neste mesmo período, acompanhada de febre baixa ao final do dia e sudorese noturna. Ao exame físico foi identificada esplenomegalia à palpação, além de pequena lesão nodular na fossa supraclavicular D, endurecida e aderida a planos profundos. A tomografia computadorizada de tórax, sem contraste, demonstrou presença de um conglomerado de linfonodos pré-vasculares, para-traqueais superiores e inferiores e para-aórticos, bilateralmente, além de linfonodomegalia supraclavicular à D (o maior conglomerado mede 6,2cm x 3,5cm x 3,3cm). Diante do quadro clínico exposto, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico mais provável é tuberculose ganglionar, com adenomegalias generalizadas secundárias a quadro infeccioso, e o paciente deve ser encaminhado para coleta de material para exame direto e cultural através de punção aspirativa com agulha fina de um dos linfonodos acometidos.
  2. B) O diagnóstico mais provável neste caso é de neoplasia de órgão sólido, considerando a presença de linfonodomegalia supraclavicular D, que geralmente indica doença neoplásica de origem gastrointestinal, devendo ser realizada investigação complementar com exame de imagem do abdômen.
  3. C) Linfoma é um dos principais diagnósticos diferenciais, considerando a apresentação clínica, tempo de evolução e faixa etária do paciente, estando indicada a realização de uma biópsia excisional de linfonodo.
  4. D) Doença neoplásica é um dos principais diagnósticos diferenciais, não sendo necessário o rastreamento sorológico de infecções virais crônicas, como infecções pelos vírus HIV, HBV e HCV, uma vez que essas infecções não estão associadas ao surgimento de adenomegalias nem de esplenomegalia.

Pérola Clínica

Linfonodomegalia + sintomas B em jovem → suspeitar linfoma; biópsia excisional é padrão-ouro.

Resumo-Chave

A presença de linfonodomegalia persistente, especialmente supraclavicular, associada a sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso) em um paciente jovem, é altamente sugestiva de linfoma. A biópsia excisional do linfonodo é essencial para o diagnóstico histopatológico e subtipagem.

Contexto Educacional

Linfomas são neoplasias do sistema linfático que se manifestam frequentemente com linfonodomegalia, muitas vezes acompanhada dos chamados "sintomas B". A faixa etária jovem, como no caso apresentado, é típica para o linfoma de Hodgkin, embora linfomas não Hodgkin também possam ocorrer. A apresentação clínica com linfonodos endurecidos, aderidos e de crescimento progressivo, juntamente com sintomas sistêmicos, deve levantar forte suspeita. O diagnóstico de linfoma é essencialmente histopatológico. A biópsia excisional de um linfonodo é o método padrão-ouro, pois permite a análise da arquitetura tecidual, imunohistoquímica e, se necessário, estudos moleculares, que são cruciais para a classificação do subtipo e para guiar o tratamento. A PAAF, embora menos invasiva, é insuficiente para um diagnóstico definitivo de linfoma. Após o diagnóstico, o estadiamento é fundamental para determinar a extensão da doença e planejar a terapêutica. Exames como tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve, PET-CT e biópsia de medula óssea são comumente utilizados. O tratamento varia conforme o subtipo histológico e o estágio, podendo incluir quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou uma combinação dessas modalidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os "sintomas B" e por que são importantes na suspeita de linfoma?

Os "sintomas B" incluem febre inexplicada (>38°C), sudorese noturna profusa e perda de peso não intencional (>10% do peso corporal em 6 meses). Sua presença, associada à linfonodomegalia, aumenta significativamente a suspeita de linfoma e indica doença mais avançada.

Por que a biópsia excisional é preferível à PAAF para o diagnóstico de linfoma?

A biópsia excisional remove o linfonodo inteiro, permitindo a análise da arquitetura tecidual, que é fundamental para diferenciar os subtipos de linfoma (Hodgkin e não Hodgkin) e outras condições, algo que a PAAF, que coleta apenas células, não consegue fazer adequadamente.

Quais outros diagnósticos diferenciais devem ser considerados em um caso de linfonodomegalia generalizada?

Além do linfoma, devem ser considerados infecções (tuberculose ganglionar, HIV, mononucleose), doenças autoimunes (lúpus, sarcoidose) e outras neoplasias (metástases de tumores sólidos, leucemias). A história clínica e exames complementares direcionam a investigação.

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