HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024
Homem trans homossexual, 34 anos de idade, sexualmente ativo, dá entrada no pronto-socorro referindo sangramento genital vultuoso há 3 dias com piora hoje. Refere que a última menstruação foi há cerca de 8 meses, dois meses depois de ter iniciado a terapia androgênica com testosterona intramuscular. No momento, não está realizando a terapia androgênica por ter perdido o acompanhamento médico. Nesse caso, a conduta mais adequada, dentre as abaixo, é:
Homem trans com sangramento genital e amenorreia prévia → excluir gravidez (beta-hCG).
Em homens trans com útero e ovários, a terapia androgênica geralmente induz amenorreia. No entanto, a descontinuação da testosterona pode levar ao retorno da ovulação e, consequentemente, ao risco de gravidez, mesmo com sangramento. Portanto, a primeira conduta diante de sangramento genital é excluir gravidez com beta-hCG.
O manejo de pacientes transgênero requer uma abordagem sensível e informada. Em homens trans que mantêm útero e ovários, a terapia androgênica com testosterona é comumente utilizada para induzir características masculinas e suprimir a menstruação, levando à amenorreia. No entanto, a testosterona não é um contraceptivo confiável, e a descontinuação da terapia hormonal, como no caso descrito, pode levar ao retorno da ovulação e, consequentemente, ao risco de gravidez. Diante de um homem trans com sangramento genital, especialmente após um período de amenorreia e descontinuação da terapia androgênica, a primeira e mais crucial conduta é descartar a possibilidade de gravidez. O sangramento pode ser interpretado erroneamente como menstruação, mas pode ser um sangramento de implantação ou um sangramento relacionado a uma gravidez inicial. Portanto, a solicitação de um teste de porção beta da gonadotrofina coriônica humana (beta-hCG) é imperativa. Após a exclusão de gravidez, outras causas de sangramento uterino anormal podem ser investigadas, como atrofia endometrial induzida pela testosterona, miomas, pólipos ou hiperplasia endometrial. A conduta subsequente dependerá dos achados, mas a prioridade inicial é sempre a exclusão de gravidez para garantir a segurança do paciente e do feto, caso haja.
Homens trans com útero e ovários podem engravidar, especialmente se houver descontinuação ou falha da terapia androgênica. O sangramento genital pode ser confundido com menstruação, mas é crucial excluir gravidez antes de outras investigações.
A terapia androgênica geralmente suprime a ovulação e induz amenorreia, mas não é um método contraceptivo 100% eficaz. A ovulação pode ocorrer, especialmente se a testosterona for descontinuada ou usada de forma irregular.
Após excluir gravidez, outras causas incluem atrofia endometrial devido à testosterona, miomas, pólipos, hiperplasia endometrial ou, menos comumente, neoplasias. A investigação dependerá do quadro clínico e da idade.
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