INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem de 45 anos, trabalhador da construção civil há 25 anos, é atendido na unidade básica de saúde com queixas de dispneia progressiva, tosse sem expectoração e fadiga. Ele nega comorbidades ou tabagismo e não se notam alterações neurológicas ou psiquiátricas durante a realização da anamnese e do exame físico. É realizada radiografia de tórax, a qual revela opacidades reticulares e placas pleurais calcificadas bilaterais na parede do tórax e no diafragma. Na investigação subsequente, é solicitada tomografia de alta resolução do tórax, cujo resultado indica a presença de fibrose difusa de parênquima pulmonar, sem alterações nodulares ou cavitações.Com relação a esse caso clínico, o diagnóstico mais provável para esse paciente é
Trabalhador construção + dispneia + placas pleurais calcificadas + fibrose pulmonar = Asbestose.
A asbestose é uma doença pulmonar intersticial difusa causada pela inalação de fibras de amianto, comum em trabalhadores da construção civil. Caracteriza-se por dispneia progressiva, tosse, e achados radiológicos típicos como opacidades reticulares, fibrose pulmonar e, classicamente, placas pleurais calcificadas.
A asbestose é uma doença pulmonar intersticial crônica e progressiva, resultante da inalação prolongada de fibras de amianto (asbesto). É uma das pneumoconioses mais importantes devido à sua prevalência histórica em diversas indústrias, como construção civil, naval e automobilística. A doença tem um longo período de latência, com sintomas surgindo décadas após a exposição inicial, e é caracterizada por fibrose pulmonar difusa. A fisiopatologia da asbestose envolve a deposição de fibras de amianto nos alvéolos, onde desencadeiam uma resposta inflamatória crônica e fibrogênica. Macrófagos tentam fagocitar as fibras, liberando citocinas e fatores de crescimento que estimulam fibroblastos a produzir colágeno, levando à fibrose. Clinicamente, os pacientes apresentam dispneia progressiva, tosse seca e fadiga. Ao exame físico, podem ser auscultados estertores crepitantes em bases pulmonares. O diagnóstico é baseado na história de exposição ocupacional ao amianto, sintomas compatíveis e achados radiológicos. A radiografia de tórax pode mostrar opacidades reticulares e, classicamente, placas pleurais calcificadas, especialmente na parede torácica lateral e no diafragma. A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) é mais sensível para detectar a fibrose pulmonar intersticial e as placas pleurais, que são marcadores de exposição ao amianto. Não há tratamento curativo para a asbestose; o manejo é de suporte, visando aliviar os sintomas e prevenir complicações. A cessação da exposição é fundamental.
Os sintomas mais comuns da asbestose são dispneia progressiva (inicialmente aos esforços), tosse seca e fadiga. Estes sintomas geralmente se desenvolvem após um longo período de latência da exposição ao amianto.
As placas pleurais calcificadas são o achado radiológico mais comum e característico da exposição ao amianto. Embora não sejam patognomônicas de asbestose (fibrose pulmonar), sua presença, especialmente no diafragma e parede torácica, reforça fortemente a suspeita de doença relacionada ao amianto.
Além da asbestose, a exposição ao amianto está associada a outras condições graves, como mesotelioma pleural maligno, câncer de pulmão (especialmente em fumantes), derrame pleural benigno e atelectasia redonda.
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