USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem, 72 anos, tabagista (85 anos-maço). Refere dispneia aos esforços e tosse seca ki 5 anos. Há alívio parcial e efêmero dos sintomas quando usa beta agonista inalado. Exame fisios BEG, corado, hidratado. FR: 18 ipm. Diâmetro ântero-posterior do tórax aumentado; som hipersonoro à percussão do tórax, com murmúrio vesicular reduzido globalmente; sem ruídos adventícios. Qual é a alteração fisiopatológica mais provável?
DPOC (enfisema) = tabagismo + tórax em barril + hipersonoridade + MV ↓ → alta complacência pulmonar.
O quadro clínico (tabagismo intenso, dispneia, tosse, tórax em barril, hipersonoridade à percussão e murmúrio vesicular reduzido) é clássico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) com predomínio enfisematoso. O enfisema leva à destruição das paredes alveolares, perda da elasticidade pulmonar e aprisionamento de ar, resultando em aumento da complacência pulmonar.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição pulmonar progressiva e irreversível, caracterizada por limitação do fluxo aéreo que não é totalmente reversível. O tabagismo é o principal fator de risco, como evidenciado pelo histórico de 85 anos-maço no paciente. A DPOC engloba principalmente a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, sendo que o quadro descrito sugere um predomínio enfisematoso. A fisiopatologia do enfisema envolve a destruição das paredes alveolares e dos septos elásticos, resultando na formação de espaços aéreos maiores e na perda da retração elástica do pulmão. Essa perda de elasticidade leva a um aumento significativo da complacência pulmonar, ou seja, o pulmão se torna mais "mole" e fácil de inflar, mas tem dificuldade em esvaziar o ar durante a expiração, levando ao aprisionamento de ar e hiperinsuflação. Os achados de exame físico, como tórax em barril, hipersonoridade à percussão e murmúrio vesicular reduzido, são reflexos diretos dessa hiperinsuflação e perda de elasticidade. O manejo da DPOC visa aliviar os sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a qualidade de vida. Embora a doença seja irreversível, a cessação do tabagismo é a medida mais importante para retardar sua progressão. Broncodilatadores (beta-agonistas e anticolinérgicos) são a base do tratamento sintomático. O prognóstico está diretamente relacionado à gravidade da obstrução do fluxo aéreo e à presença de comorbidades.
Os achados incluem tórax em barril (aumento do diâmetro anteroposterior), hipersonoridade à percussão, murmúrio vesicular globalmente reduzido e, em casos avançados, uso de musculatura acessória e respiração com lábios semicerrados.
O tabagismo causa inflamação crônica e desequilíbrio entre proteases e antiproteases nos pulmões, levando à destruição das paredes alveolares e dos septos elásticos, o que resulta na perda da retração elástica e aumento da complacência pulmonar.
A complacência pulmonar refere-se à capacidade do pulmão de se expandir (elasticidade do parênquima), enquanto a rigidez da caixa torácica se refere à resistência da parede torácica à expansão. No enfisema, o pulmão tem alta complacência, mas a caixa torácica pode estar rígida devido à hiperinsuflação crônica.
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