UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Homem, 19 anos, queixa-se de edema facial, aumento do volume abdominal e edema vespertino em membros inferiores. Elementos anormais e sedimentoscopia (EAS) a seguir:Pode-se afirmar que o resultado observado é compatível com:
Edema generalizado + EAS com lipidúria (corpos graxos/cilindros) = Síndrome Nefrótica.
O quadro clínico de edema facial, abdominal e em membros inferiores, especialmente vespertino, é altamente sugestivo de síndrome nefrótica. A lipidúria, caracterizada pela presença de corpos graxos ovais e cilindros graxos na urina, é um achado patognomônico do exame de elementos anormais e sedimentoscopia (EAS) na síndrome nefrótica.
A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema, hiperlipidemia e lipidúria. É uma das principais causas de edema generalizado em crianças e adultos jovens, embora possa ocorrer em qualquer idade. O quadro clínico clássico inclui edema facial (periorbital), edema em membros inferiores (vespertino) e ascite, refletindo a perda de proteínas plasmáticas e a consequente diminuição da pressão oncótica. A fisiopatologia central envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, permitindo a passagem de grandes quantidades de proteínas para a urina. A perda de albumina leva à hipoalbuminemia, que reduz a pressão oncótica plasmática e causa extravasamento de fluido para o interstício, resultando em edema. A hiperlipidemia e a lipidúria são consequências da disfunção hepática compensatória e da passagem de lipídios através do glomérulo danificado. O diagnóstico é feito pela combinação do quadro clínico, exames laboratoriais (proteinúria de 24 horas, albumina sérica, perfil lipídico) e o exame de urina tipo 1 (EAS), que revela proteinúria e, caracteristicamente, a lipidúria com corpos graxos ovais e cilindros graxos. O tratamento visa controlar o edema, reduzir a proteinúria e tratar a causa subjacente da síndrome nefrótica, que pode ser primária (ex: doença de lesões mínimas) ou secundária (ex: diabetes, lúpus). Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente a síndrome nefrótica e iniciar a investigação e o manejo adequados.
A síndrome nefrótica é caracterizada por edema generalizado (facial, abdominal, membros inferiores), proteinúria maciça (>3,5g/24h), hipoalbuminemia, hiperlipidemia e lipidúria. O edema é frequentemente o sintoma de apresentação.
Lipidúria é a presença de lipídios na urina. No EAS, ela se manifesta pela presença de corpos graxos ovais (células tubulares renais degeneradas contendo gotículas de gordura) e cilindros graxos, que são patognomônicos da síndrome nefrótica.
O edema na síndrome nefrótica é multifatorial, mas principalmente devido à hipoalbuminemia, que diminui a pressão oncótica plasmática, levando ao extravasamento de líquido para o interstício. A retenção de sódio e água pelos rins também contribui.
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