Gota: Diagnóstico, Fatores de Risco e Manejo Terapêutico

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 54 anos de idade queixa-se de dor em pé direito, na região articular interfalangianas de 1o e 2o dedos, de surgimento agudo, com hiperemia e calor local. Nega trauma e febre. Associa o início desta crise após confraternização em um churrasco com amigos. Refere 2 episódios semelhantes no último ano que melhoraram com o uso de anti-inflamatório. É tabagista de 30 maços-ano e etilista social. IMC de 36 kg/m2 . Em relação à doença que justifica a queixa do paciente, assim como a descompensação apresentada, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Orientação dietética e redução de peso não apresentam benefícios comprovados no controle de doença e das crises.
  2. B) Está indicado o tratamento com terapia hipouricemiante por conta de episódios recorrentes.
  3. C) Deve-se realizar a dosagem de ácido úrico imediatamente e, se normal, exclui-se o diagnóstico de gota.
  4. D) Para o diagnóstico da artropatia em questão é necessário a coleta de hemograma e proteína C reativa.
  5. E) Somente após realização da punção articular deve-se avaliar alguma opção terapêutica.

Pérola Clínica

Gota recorrente ou tofos → terapia hipouricemiante (alopurinol) após controle da crise aguda.

Resumo-Chave

O paciente apresenta quadro clássico de gota aguda, com fatores de risco como IMC elevado, etilismo e histórico de crises recorrentes. A recorrência é uma indicação para iniciar terapia hipouricemiante após a resolução da crise aguda.

Contexto Educacional

A gota é uma doença inflamatória articular causada pela deposição de cristais de urato monossódico nas articulações e tecidos periarticulares, resultante da hiperuricemia. Caracteriza-se por crises de artrite aguda, geralmente monoarticular, com dor intensa, hiperemia, calor e edema. É uma das artropatias inflamatórias mais comuns e sua prevalência tem aumentado devido a mudanças no estilo de vida. O paciente apresenta um quadro clínico clássico de gota, com dor aguda em interfalangianas, hiperemia e calor local, associado a fatores de risco como obesidade (IMC 36), etilismo e dieta rica em purinas (churrasco). O histórico de episódios semelhantes recorrentes é um ponto crucial. A recorrência das crises de gota é uma indicação clara para o início da terapia hipouricemiante, que visa reduzir os níveis séricos de ácido úrico e prevenir novas deposições de cristais. Medicamentos como o alopurinol são a primeira linha para essa finalidade, mas devem ser iniciados após o controle da crise aguda para evitar a mobilização de cristais e piora da inflamação. A dosagem de ácido úrico durante a crise pode ser enganosa, e o diagnóstico definitivo é feito pela análise do líquido sinovial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de gota?

Os principais fatores de risco para gota incluem hiperuricemia, obesidade, consumo excessivo de álcool (especialmente cerveja e destilados), dieta rica em purinas (carnes vermelhas, frutos do mar), uso de diuréticos tiazídicos e insuficiência renal.

Quando a terapia hipouricemiante é indicada para pacientes com gota?

A terapia hipouricemiante é indicada para pacientes com gota recorrente (duas ou mais crises por ano), presença de tofos, doença renal crônica estágio 2 ou superior, ou histórico de urolitíase por ácido úrico. Deve ser iniciada após a resolução da crise aguda.

É possível ter gota com níveis normais de ácido úrico no sangue?

Sim, é possível. Durante uma crise aguda de gota, os níveis de ácido úrico sérico podem estar normais ou até mesmo baixos devido ao sequestro de urato na articulação inflamada. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação de cristais de urato monossódico no líquido sinovial.

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