Silicose: Diagnóstico por História Ocupacional e Raio-X

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 61 anos queixa-se de dispneia progressiva aos esforços, iniciada há cerca de 10 anos, com piora nos últimos 2 anos, associada a tosse seca persistente. Nega tabagismo. Refere ter trabalhado em mineração de ouro por 25 anos. Durante esse período, realizava atividades de perfuração e detonação de rochas, com exposição intensa a poeira. Relata que durante seu trabalho na mina não havia equipamentos de proteção individual adequados. Apresenta radiografia de tórax com múltiplos nódulos pequenos e arredondados, predominantemente nos campos superiores dos pulmões, além de espessamento pleural. Considerando o caso clínico apresentado e os achados radiológicos, qual das seguintes alternativas apresenta o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Antracose.
  2. B) Silicose.
  3. C) Beriliose.
  4. D) Asbestose.

Pérola Clínica

História de mineração + nódulos pequenos e arredondados nos lobos superiores = Silicose.

Resumo-Chave

A silicose é uma pneumoconiose fibrótica causada pela inalação de poeira de sílica cristalina. A história ocupacional (mineração, jateamento de areia, corte de pedras) é crucial, e o achado radiológico de múltiplos pequenos nódulos, principalmente nos terços superiores dos pulmões, é altamente sugestivo.

Contexto Educacional

A silicose é uma das pneumoconioses mais antigas e conhecidas, causada pela inalação de partículas de sílica cristalina. É uma doença pulmonar ocupacional fibrótica, crônica e incurável, associada a atividades como mineração, jateamento de areia, construção civil e trabalho em pedreiras. A exposição prolongada leva a uma resposta inflamatória crônica nos pulmões, com formação de granulomas e fibrose progressiva. O diagnóstico baseia-se em três pilares: uma história de exposição ocupacional significativa à sílica, achados radiológicos compatíveis e a exclusão de outras doenças com quadro semelhante. A forma mais comum é a silicose crônica simples, que se desenvolve após 10-20 anos de exposição e se manifesta radiologicamente por pequenos nódulos arredondados, predominantemente nos lobos pulmonares superiores. Com a progressão, os nódulos podem coalescer, formando grandes conglomerados fibróticos, caracterizando a fibrose maciça progressiva, que cursa com dispneia grave e insuficiência respiratória. Não existe tratamento específico que reverta a fibrose. O manejo foca na interrupção da exposição, suporte clínico com broncodilatadores e oxigenoterapia, e na vigilância e tratamento de complicações. Pacientes com silicose têm um risco aumentado de desenvolver tuberculose (silicotuberculose), infecções por micobactérias não tuberculosas, doenças autoimunes e câncer de pulmão, exigindo monitoramento contínuo.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados radiológicos clássicos da silicose?

A forma crônica simples apresenta múltiplos nódulos pequenos (<10mm) e arredondados, com predomínio nos campos pulmonares superiores. Em fases avançadas (silicose complicada), esses nódulos podem confluir, formando grandes massas fibróticas (fibrose maciça progressiva).

Qual o tratamento para a silicose?

Não há tratamento curativo para a silicose. O manejo consiste em interromper a exposição à sílica, tratar sintomas (broncodilatadores), oferecer oxigenoterapia se houver hipoxemia, e realizar vigilância para complicações como tuberculose e câncer de pulmão.

Qual a principal complicação infecciosa associada à silicose?

A tuberculose é a complicação infecciosa mais importante. A sílica prejudica a função dos macrófagos alveolares, aumentando significativamente o risco de reativação de tuberculose latente ou de nova infecção. Pacientes com silicose devem ser rastreados para tuberculose.

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