Acalasia Avançada: Quando Considerar a Esofagectomia?

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 40 anos de idade, proveniente do interior de Minas Gerais, procura serviço médico por disfagia e regurgitação há mais de 10 anos. No início, o sintoma que mais incomodava era pirose. Sentia também dor torácica em aperto após se alimentar. Evoluiu com dificuldade progressiva para ingestão de alimentos e regurgitação, que foram se agravando. Atualmente, conta que tem dificuldade para se alimentar com líquidos e pastosos. Realizou eletromanometria do esôfago, que demonstrou ausência de abertura o esfíncter inferior do esôfago (EIE), com aperistalse) e atonia do corpo esofágico. Realizou o seguinte exame, reproduzido a seguir: A melhor conduta para este caso deve ser:

Alternativas

  1. A) Cardiomitomia e fundoplicatura
  2. B) Aplicação de toxina botulínica
  3. C) Dilatação endoscópica
  4. D) Esofagectomia

Pérola Clínica

Acalasia avançada (megaesôfago grau IV) com disfagia grave e falha terapêutica prévia → Esofagectomia.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de acalasia avançada (megaesôfago), com história de longa duração, disfagia progressiva para líquidos e sólidos, e achados manométricos de aperistalse e ausência de relaxamento do EIE. A evolução para dificuldade com líquidos e pastosos, e a provável falha de tratamentos menos invasivos (implícito pela gravidade e cronicidade), sugere um megaesôfago grau IV, onde a esofagectomia é a melhor opção.

Contexto Educacional

A acalasia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela ausência de relaxamento do esfíncter inferior do esôfago (EIE) e aperistalse do corpo esofágico. Isso resulta em dificuldade progressiva para a passagem de alimentos e líquidos, levando a disfagia, regurgitação, dor torácica e perda de peso. No Brasil, a doença de Chagas é uma causa importante de acalasia secundária, conhecida como megaesôfago chagásico. O diagnóstico é estabelecido pela história clínica, exames de imagem (esofagograma baritado, que mostra o "bico de pássaro" e dilatação esofágica) e, principalmente, pela manometria esofágica de alta resolução, que confirma a disfunção do EIE e a aperistalse. A progressão da doença leva à dilatação e alongamento do esôfago, culminando no megaesôfago grau IV, onde o esôfago se torna extremamente dilatado e atônico. As opções de tratamento variam desde abordagens menos invasivas como dilatação endoscópica com balão e injeção de toxina botulínica, até procedimentos cirúrgicos como a miotomia de Heller (laparoscópica ou endoscópica, POEM). No entanto, em casos de acalasia avançada, com megaesôfago grau IV, falha de tratamentos prévios ou risco de carcinoma, a esofagectomia (remoção cirúrgica do esôfago) com interposição gástrica ou colônica é frequentemente a melhor e mais definitiva opção para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da acalasia?

Os principais sintomas são disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica, perda de peso e, em alguns casos, pirose.

Como a manometria esofágica diagnostica a acalasia?

A manometria esofágica é o padrão-ouro, demonstrando aperistalse no corpo esofágico e relaxamento incompleto ou ausente do esfíncter inferior do esôfago (EIE) após a deglutição.

Quando a esofagectomia é indicada para acalasia?

A esofagectomia é indicada para casos de acalasia avançada (megaesôfago grau IV), com esôfago muito dilatado e tortuoso, falha de tratamentos prévios (miotomia, dilatação) ou presença de complicações como carcinoma esofágico.

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