IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, de 43 anos de idade, previamente hígido, refere episódios de tosse seca há três meses. Realizou tratamento para doença do refluxo gastroesofágico, sem melhora. Há duas semanas, passou a apresentar episódios de diplopia noturna. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com presença de ptose palpebral bilateral. Ausculta pulmonar evidencia roncos de transmissão, sem demais alterações. Realizou os exames complementares mostrados a seguir: Qual é o diagnóstico mais provável para este paciente?
Ptose + Diplopia + Massa mediastinal anterior → Timoma (associado à Miastenia Gravis).
A presença de sintomas oculares (ptose e diplopia) associados a uma massa no mediastino anterior sugere fortemente um timoma, que é a neoplasia mais comum nessa localização e frequentemente associada à Miastenia Gravis.
O timoma é uma neoplasia epitelial do timo localizada no mediastino anterior. Sua apresentação clínica pode variar desde achados incidentais em exames de imagem até sintomas compressivos locais (tosse, dor torácica, dispneia) ou manifestações de síndromes paraneoplásicas, sendo a Miastenia Gravis a mais notória. O manejo envolve frequentemente a timectomia, que serve tanto para o tratamento oncológico quanto para a melhora dos sintomas neurológicos da Miastenia Gravis. O estadiamento de Masaoka-Koga é o sistema mais utilizado para guiar o prognóstico e a necessidade de terapias adjuvantes como radioterapia.
Cerca de 10% a 15% dos pacientes com Miastenia Gravis (MG) apresentam um timoma, enquanto aproximadamente 30% a 50% dos pacientes com timoma desenvolvem sintomas de MG. O timo desempenha um papel central na patogênese da MG, sendo o local de quebra da autotolerância e produção de anticorpos contra o receptor de acetilcolina (anti-AChR).
O mnemônico clássico dos '4 Ts' ajuda na memorização: Timoma, Teratoma (e outros tumores de células germinativas), Tireoide (bócio mergulhante) e 'Terrível' Linfoma. O timoma é o mais comum em adultos entre a quarta e sexta décadas de vida.
O diagnóstico inicial é geralmente radiológico, através de Tomografia Computadorizada (TC) ou Ressonância Magnética (RM) de tórax, que evidenciam massa sólida no mediastino anterior. A confirmação histopatológica é realizada após a ressecção cirúrgica ou biópsia, dependendo do estadiamento e ressecabilidade.
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