Manejo da Gota Aguda na Doença Renal Crônica (DRC)

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 64 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica e doença renal crônica estádio 3b, procura a unidade de pronto atendimento com quadro de dor súbita e intensa em primeiro pododáctilo direito, iniciada há cerca de 12 horas. Relata que a dor atingiu o pico de intensidade em poucas horas, impedindo-o de calçar sapatos ou deambular. Ao exame físico, apresenta-se afebril, com a primeira articulação metatarsofalângica direita exibindo edema importante, eritema cutâneo difuso e calor local, com extrema sensibilidade ao toque. Seus exames laboratoriais recentes mostram uma creatinina basal de 2,3 mg/dL e uma taxa de filtração glomerular estimada de 31 mL/min/1,73m². O ácido úrico sérico colhido na admissão é de 7,8 mg/dL. O paciente não faz uso de terapia para redução de urato. Com base no quadro clínico e nas comorbidades apresentadas, a conduta terapêutica mais adequada para o manejo da crise atual é:

Alternativas

  1. A) Iniciar Alopurinol 300 mg, via oral, imediatamente para reduzir os níveis de ácido úrico.
  2. B) Iniciar Indometacina 50 mg, via oral, de 8 em 8 horas por 3 dias.
  3. C) Prescrever Prednisona 30 mg por dia, via oral, por 5 dias.
  4. D) Administrar Colchicina 0,5 mg, via oral, de 1 em 1 hora até a resolução da dor ou início de diarreia.

Pérola Clínica

Gota + DRC (TFGe < 30) → Evite AINEs/Colchicina; use Corticoides.

Resumo-Chave

Em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) estádio 3b ou superior, o uso de AINEs e Colchicina é limitado pelo risco de nefrotoxicidade e toxicidade sistêmica, tornando os corticoides a escolha preferencial.

Contexto Educacional

A gota é uma artrite inflamatória causada pela deposição de cristais de monourato de sódio nas articulações. O manejo da crise aguda visa o controle rápido da dor e inflamação. As opções clássicas incluem AINEs, colchicina e corticoides. No entanto, a presença de comorbidades como a Doença Renal Crônica (DRC) altera drasticamente o perfil de segurança dessas drogas. Pacientes com TFGe reduzida apresentam alto risco de complicações com AINEs e toxicidade por colchicina. Nesses cenários, os corticoides sistêmicos ou intra-articulares são as opções mais seguras e eficazes. É fundamental lembrar que o tratamento hipouricemiante não deve ser iniciado durante a crise aguda.

Perguntas Frequentes

Por que evitar AINEs na crise de gota com DRC?

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) inibem as prostaglandinas renais, o que pode levar a uma redução aguda da taxa de filtração glomerular, retenção de sódio e água, e agravamento da hipertensão, sendo contraindicados em pacientes com DRC estádio 3 ou superior.

Qual a dose recomendada de Prednisona na gota aguda?

A dose usual de Prednisona para o manejo da crise de gota é de 30 a 35 mg por dia, por um período curto de 5 dias, ou até a resolução dos sintomas, seguida de desmame rápido se necessário. É uma alternativa eficaz e segura para pacientes com contraindicações aos tratamentos de primeira linha.

Pode-se usar Colchicina em pacientes com TFGe de 31 mL/min?

Embora não seja absolutamente contraindicada como em estágios mais avançados, a Colchicina exige redução drástica de dose e monitoramento rigoroso em pacientes com TFGe reduzida devido ao risco de toxicidade neuromuscular e medular. Em muitos casos, o corticoide é preferido pela maior segurança.

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