MedEvo Simulado — Prova 2026
Homem, 74 anos, portador de Diabetes Mellitus tipo 2 há 22 anos e tabagista ativo (40 maços-ano), comparece à consulta ambulatorial para avaliação de rotina. Relata episódios de dor em panturrilhas ao caminhar cerca de dois quarteirões, que cessa prontamente com o repouso. Ao exame físico dos membros inferiores, observa-se rarefação de pelos, unhas distróficas e pele fria. Os pulsos pediosos e tibiais posteriores estão reduzidos globalmente (+1/4). O teste de sensibilidade com monofilamento de Semmes-Weinstein (10g) demonstra ausência de percepção em quatro de dez pontos testados bilateralmente. O índice tornozelo-braquial (ITB) aferido é de 0,68 à direita e 0,72 à esquerda. Não há histórico de ulcerações prévias, amputações ou deformidades evidentes como hálux valgo ou dedos em garra. A função renal revela creatinina de 1,4 mg/dL e taxa de filtração glomerular estimada de 52 mL/min/1,73m². Considerando as diretrizes internacionais vigentes para o manejo do pé diabético (IWGDF), a categoria de risco e a periodicidade recomendada para o acompanhamento deste paciente são, respectivamente:
DAP (ITB < 0,9) + Neuropatia (PSP) = IWGDF Categoria 2 → Reavaliar a cada 3-6 meses.
Pacientes com perda de sensibilidade protetora (PSP) E Doença Arterial Periférica (DAP) são classificados como Categoria 2 pelo IWGDF, exigindo vigilância trimestral ou semestral.
O pé diabético é uma das complicações mais debilitantes do Diabetes Mellitus, sendo a principal causa de amputações não traumáticas. A triagem sistemática envolve a busca por neuropatia (via monofilamento de 10g) e vasculopatia (via palpação de pulsos e ITB). A estratificação de risco do IWGDF é a ferramenta padrão para determinar a frequência de vigilância. Pacientes em categorias de risco mais alto (2 e 3) devem receber educação intensiva sobre o autocuidado, escolha de calçados adequados e inspeção diária dos pés, além de manejo rigoroso dos fatores de risco cardiovascular como tabagismo e controle glicêmico.
A Categoria 2 de risco do International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF) inclui pacientes que apresentam Perda de Sensibilidade Protetora (PSP) associada à Doença Arterial Periférica (DAP), ou PSP associada a deformidades podais, ou DAP associada a deformidades. No caso clínico, o paciente apresenta tanto PSP (teste de monofilamento alterado) quanto DAP (claudicação, pulsos reduzidos e ITB < 0,9), o que o enquadra perfeitamente nesta categoria.
O ITB é uma ferramenta diagnóstica não invasiva essencial para identificar Doença Arterial Periférica. Valores abaixo de 0,9 indicam isquemia, enquanto valores acima de 1,3 podem indicar calcificação da camada média arterial (comum em diabéticos de longa data), o que exige exames complementares como o índice hálux-braquial. No paciente em questão, o ITB de 0,68/0,72 confirma DAP significativa, aumentando o risco de má cicatrização e amputação.
Segundo o IWGDF: Categoria 0 (sem PSP ou DAP) reavaliação anual; Categoria 1 (apenas PSP ou DAP) a cada 6-12 meses; Categoria 2 (PSP + DAP, ou PSP + deformidade, ou DAP + deformidade) a cada 3-6 meses; Categoria 3 (história de úlcera ou amputação) a cada 1-3 meses. O acompanhamento frequente permite intervenções precoces em calosidades e pequenas lesões.
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