Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025
Homem, 61 anos, obeso e etilista, procurou consulta referindo dor no joelho direito, de surgimento abrupto. Dormiu sem dor, porém acordou com o joelho quente, vermelho e edemaciado. Negou traumas e infecções recentes, mas referiu um episódio semelhante no primeiro dedo do pé direito há 3 anos, quando fez uso de antiinflamatório com resolução do caso. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é a afirmativa correta?
Gota: redução peso e álcool são medidas essenciais no manejo.
A gota é uma artrite inflamatória causada pela deposição de cristais de urato monossódico. Fatores de risco como obesidade e etilismo são modificáveis e sua abordagem é fundamental no tratamento não farmacológico, com benefícios comprovados na redução da frequência e gravidade das crises.
A gota é uma das formas mais comuns de artrite inflamatória, caracterizada por ataques agudos de dor intensa, vermelhidão, calor e inchaço em uma ou mais articulações, frequentemente o hálux (podagra). É uma condição prevalente, especialmente em homens de meia-idade e idosos, e sua compreensão é fundamental para a prática clínica e provas de residência. A fisiopatologia da gota envolve a hiperuricemia, que leva à formação e deposição de cristais de urato monossódico nas articulações e tecidos moles. Esses cristais desencadeiam uma resposta inflamatória aguda. Fatores como obesidade, etilismo, dieta rica em purinas e uso de certos medicamentos (ex: diuréticos) elevam os níveis de ácido úrico e aumentam o risco de crises. O diagnóstico é frequentemente clínico, baseado na história e exame físico, mas a confirmação definitiva é feita pela identificação dos cristais no líquido sinovial. O tratamento da gota aguda visa aliviar a dor e a inflamação, geralmente com AINEs, colchicina ou corticoides. O manejo a longo prazo inclui a modificação de fatores de risco, como a redução de peso e do consumo de álcool, e a terapia hipouricemiante (alopurinol, febuxostate) para pacientes com ataques recorrentes, tofos ou outras complicações. É crucial educar o paciente sobre a doença e a importância das mudanças no estilo de vida.
Os principais fatores de risco incluem hiperuricemia, obesidade, consumo excessivo de álcool (especialmente cerveja e destilados), dieta rica em purinas, uso de diuréticos tiazídicos e de alça, doença renal crônica e certas condições genéticas.
A redução de peso e do consumo de álcool são cruciais, pois ambos contribuem para o aumento dos níveis de ácido úrico e a ocorrência de crises. Essas medidas não farmacológicas podem diminuir a frequência e a intensidade dos ataques de gota.
A dosagem de ácido úrico durante uma crise aguda pode ser enganosa, pois os níveis podem estar normais ou até baixos. O ideal é dosar o ácido úrico cerca de 2-4 semanas após a resolução da crise para uma avaliação basal mais precisa.
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