Gota Aguda: Diagnóstico Definitivo e Manejo Inicial

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

Homem, 33 anos, obeso, etilista, hipertenso em uso de hidroclorotiazida, com história de alta hospitalar, há 24 horas, após colecistectomia, procura UPA com relato de dor intensa e alodínia em hálux esquerdo há 3 horas. Ao exame: Estado Geral Regular, fácies de dor, T:37,9º; abdome flácido e ferida operatória sem sinais flogísticos; sistema osteo-articular: edema, rubor e dor à movimentação de hálux (vide imagem). Conferir figura correspondente com melhor resolução no anexo (FIGURA 1)Que conduta está indicada neste momento? 

Alternativas

  1. A) Coleta de duas amostras de hemoculturas.
  2. B) Punção de metatarsofalangeana.
  3. C) Dosagem de ácido úrico sérico.
  4. D) Iniciar cefalexina.

Pérola Clínica

Suspeita de gota aguda → Punção articular para cristais de urato monossódico (diagnóstico definitivo).

Resumo-Chave

O quadro clínico (dor intensa, rubor, edema em hálux, fatores de risco como obesidade, etilismo, hidroclorotiazida, pós-operatório) é altamente sugestivo de gota aguda. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação de cristais de urato monossódico no líquido sinovial, obtido por punção articular.

Contexto Educacional

A gota aguda é uma artrite inflamatória caracterizada pela deposição de cristais de urato monossódico nas articulações, tecidos moles e rins. É uma condição comum, especialmente em homens de meia-idade, e sua prevalência está aumentando devido a fatores como obesidade, síndrome metabólica e uso de certos medicamentos. O quadro clínico clássico é a podagra, uma artrite aguda do hálux, mas outras articulações também podem ser afetadas. O diagnóstico da gota aguda é primariamente clínico, baseado na apresentação súbita de dor intensa, rubor e edema articular, frequentemente em pacientes com fatores de risco como hiperuricemia, etilismo, obesidade e uso de diuréticos tiazídicos. No entanto, o diagnóstico definitivo requer a identificação dos cristais de urato monossódico no líquido sinovial, obtido por punção articular. Essa etapa é crucial para diferenciar a gota de outras artrites, como a séptica, que exige um manejo completamente diferente. A conduta inicial em uma crise de gota aguda envolve o alívio da dor e inflamação, geralmente com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), colchicina ou corticosteroides. A dosagem de ácido úrico sérico, embora importante para o manejo a longo prazo da hiperuricemia, não é diagnóstica durante a crise aguda, pois os níveis podem estar normais ou até baixos. A punção articular é a prioridade diagnóstica para confirmar a etiologia e direcionar o tratamento adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de uma crise de gota aguda?

Uma crise de gota aguda tipicamente se manifesta com dor intensa de início súbito, rubor, calor e edema em uma única articulação, mais comumente o hálux (podagra). Pode haver febre baixa e sensibilidade extrema ao toque (alodínia).

Por que a punção articular é a conduta mais indicada na suspeita de gota aguda?

A punção articular com análise do líquido sinovial é o padrão-ouro para o diagnóstico de gota aguda, pois permite a identificação de cristais de urato monossódico birrefringentes negativos, confirmando a doença e excluindo outras causas de artrite, como a séptica.

Quais fatores de risco podem precipitar uma crise de gota?

Fatores de risco incluem hiperuricemia, obesidade, consumo excessivo de álcool (especialmente cerveja), dieta rica em purinas, uso de diuréticos tiazídicos (como hidroclorotiazida) e estresse metabólico, como o período pós-operatório.

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