Hemofilia: Diagnóstico Clínico e Laboratorial Essencial

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 24 anos; não tabagista e nem etilista; pratica natação; controle da alimentação com nutrologista; procura ortopedista relatando aumento de volume; dor aguda e limitante da mobilidade do osso do fêmur distal direito; sem associação com trauma ou outras lesões. Relata ter episódios recorrentes de hematomas espontâneos. Não faz uso regular de medicamentos. O exame de sangue realizado e levado na consulta mostra plaquetas e coagulograma normais. Diante do quadro clínico, a principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Talassemia minor.
  2. B) Anemia falciforme.
  3. C) Mutação do Fator V de Leinden.
  4. D) Hemofilia.

Pérola Clínica

Hematomas espontâneos e hemartrose recorrente com plaquetas e coagulograma (PT/INR) normais → suspeitar de Hemofilia.

Resumo-Chave

A hemofilia é um distúrbio hemorrágico hereditário caracterizado por sangramentos prolongados ou espontâneos, frequentemente em articulações (hemartrose) e músculos. Embora o coagulograma básico (TP/INR) possa ser normal, o tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA) geralmente está prolongado, indicando deficiência de fatores da via intrínseca.

Contexto Educacional

A hemofilia é um distúrbio hemorrágico hereditário ligado ao cromossomo X, caracterizado pela deficiência ou disfunção de um fator de coagulação específico. A hemofilia A (deficiência de Fator VIII) é a mais comum, seguida pela hemofilia B (deficiência de Fator IX). A prevalência é de aproximadamente 1 em 5.000 a 10.000 nascimentos masculinos. É crucial para o residente reconhecer os sinais precoces para evitar complicações graves, como artropatia hemofílica crônica. Clinicamente, a hemofilia se manifesta por sangramentos espontâneos ou desproporcionais a traumas, sendo a hemartrose (sangramento nas articulações) a apresentação mais característica, causando dor intensa, inchaço e limitação de movimento. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica e exames de triagem, como o TTPA prolongado, enquanto o TP/INR e a contagem de plaquetas são geralmente normais. A confirmação é feita pela dosagem dos níveis dos fatores VIII ou IX. O tratamento da hemofilia baseia-se na reposição do fator deficiente, seja de forma profilática para prevenir sangramentos ou sob demanda para tratar episódios agudos. A educação do paciente e da família sobre o manejo dos sangramentos e a prevenção de lesões é fundamental. O prognóstico melhorou significativamente com o avanço das terapias, permitindo uma melhor qualidade de vida para os pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da hemofilia?

Os principais sinais da hemofilia incluem sangramentos prolongados após pequenos traumas, hematomas espontâneos, sangramentos nas articulações (hemartrose) causando dor e inchaço, e sangramentos musculares profundos. Em casos graves, pode haver sangramento intracraniano.

Como a hemofilia é diagnosticada laboratorialmente?

O diagnóstico laboratorial da hemofilia envolve a avaliação do tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA), que geralmente está prolongado. A confirmação é feita pela dosagem dos fatores de coagulação, especificamente o Fator VIII (Hemofilia A) ou Fator IX (Hemofilia B).

Por que o coagulograma pode ser 'normal' em um paciente com hemofilia?

O termo 'coagulograma normal' pode ser enganoso se se referir apenas ao Tempo de Protrombina (TP/INR) e contagem de plaquetas. Na hemofilia, que afeta a via intrínseca da coagulação, o TTPA é o exame que se altera. Em casos leves, o TTPA pode ser apenas discretamente prolongado ou até mesmo normal, exigindo dosagem direta dos fatores para diagnóstico.

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