UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 52 anos refere dispneia e dor torácica à inspiração profunda há 5 dias. RX de tórax: moderado derrame pleural à esquerda. Foi realizada a toracocentese diagnóstica. Análise de líquido pleural: triglicerídeos: 1700 mg/dL. Nesse contexto, o tratamento nutricional para esse paciente deve ser dieta:
Triglicerídeos > 110 mg/dL no líquido pleural = Quilotórax → Dieta hipogordurosa + TCM.
O quilotórax exige redução do fluxo linfático no ducto torácico. O uso de TCM é essencial pois eles são absorvidos diretamente pela veia porta, sem passar pelos vasos linfáticos.
O quilotórax é uma condição clínica caracterizada pelo acúmulo de quilo no espaço pleural, resultante de obstrução ou laceração do ducto torácico. A análise bioquímica do líquido pleural é o padrão-ouro inicial, revelando aspecto leitoso (em 50% dos casos) e níveis elevados de triglicerídeos. O manejo conservador foca na drenagem pleural e, crucialmente, na terapia nutricional. A estratégia dietética visa 'descansar' o ducto torácico. Isso é alcançado através de uma dieta hipogordurosa para minimizar a formação de quilomícrons. A suplementação com TCM garante o aporte calórico sem estimular o fluxo linfático. Em casos refratários, a nutrição parenteral total (NPT) pode ser necessária para eliminar completamente o estímulo à produção de quilo antes de intervenções cirúrgicas como a ligadura do ducto torácico.
O diagnóstico de quilotórax é confirmado quando a concentração de triglicerídeos no líquido pleural é superior a 110 mg/dL. Valores entre 50 e 110 mg/dL são indeterminados e podem exigir a pesquisa de quilomícrons por eletroforese de lipoproteínas. Valores abaixo de 50 mg/dL tornam o diagnóstico improvável.
Os triglicerídeos de cadeia média (TCM) possuem entre 6 e 12 carbonos e são hidrossolúveis o suficiente para serem absorvidos diretamente pela mucosa intestinal para a circulação portal. Gorduras de cadeia longa (TCL) são reesterificadas em quilomícrons e transportadas pelo sistema linfático, o que aumentaria o débito da fístula no ducto torácico.
As causas são divididas em traumáticas (iatrogenia cirúrgica em tórax ou pescoço, trauma contuso) e não traumáticas (neoplasias, sendo o linfoma a mais comum, além de sarcoidose, tuberculose e doenças congênitas do sistema linfático).
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