Sepse: Critérios Diagnósticos e Reconhecimento Precoce

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 72 anos, diabético, foi internado com febre alta (39,2°C), dor abdominal e diminuição da diurese nas últimas 24 horas. No exame físico, o paciente apresenta pressão arterial de 85/50 mmHg, frequência cardíaca de 115 bpm, frequência respiratória de 24 irpm, e saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente. O exame de sangue revela leucocitose com desvio à esquerda, lactato elevado (4,2mmol/L) e função renal alterada (creatinina sérica de 2,1 mg/dL). O paciente estava previamente com a função renal normal. Com base no caso clínico e nos critérios diagnósticos para sepse, assinale a alternativa que descreve corretamente o diagnóstico desta condição.

Alternativas

  1. A) Não se trata de sepse, pois o paciente não apresenta choque hipovolêmico.
  2. B) Trata-se de sepse, pois há evidência de infecção suspeita, com disfunção orgânica.
  3. C) Não se trata de sepse, pois o paciente não apresenta sinais de insuficiência respiratória grave.
  4. D) Trata-se de sepse, pois o paciente apresenta febre e leucocitose com desvio à esquerda.
  5. E) Não se trata de sepse, pois a elevação da creatinina não é suficiente para este diagnóstico.

Pérola Clínica

Sepse = infecção suspeita/confirmada + disfunção orgânica (SOFA ≥ 2).

Resumo-Chave

Sepse é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. O diagnóstico requer a presença de uma infecção suspeita ou confirmada e uma pontuação SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) de 2 ou mais, indicando disfunção orgânica aguda. A hipotensão persistente após fluidos define o choque séptico.

Contexto Educacional

A sepse é uma síndrome complexa e grave, definida como uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para reduzir a alta mortalidade associada a esta condição. Para residentes e profissionais de saúde, compreender os critérios diagnósticos atuais é fundamental. De acordo com a definição Sepse-3, o diagnóstico de sepse requer a presença de uma infecção suspeita ou confirmada, juntamente com uma disfunção orgânica aguda. Essa disfunção é quantificada por um aumento de 2 ou mais pontos na escala SOFA (Sequential Organ Failure Assessment). No caso clínico, o paciente apresenta febre alta, dor abdominal (infecção suspeita), hipotensão (PA 85/50 mmHg), taquicardia (115 bpm), taquipneia (24 irpm), saturação de oxigênio baixa (91%), leucocitose com desvio à esquerda, lactato elevado (4,2 mmol/L) e função renal alterada (creatinina 2,1 mg/dL com função prévia normal). Todos esses achados indicam disfunção de múltiplos órgãos (cardiovascular, respiratório, renal, metabólico), confirmando o diagnóstico de sepse. É importante diferenciar sepse de choque séptico. O choque séptico é um subconjunto da sepse onde as anormalidades circulatórias, celulares e metabólicas são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade. É diagnosticado quando, apesar da reposição volêmica adequada, o paciente necessita de vasopressores para manter a pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg e apresenta lactato sérico > 2 mmol/L. O paciente do caso, com hipotensão e lactato elevado, já está em choque séptico, exigindo intervenção imediata para estabilização hemodinâmica e tratamento da infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios atuais para o diagnóstico de sepse?

O diagnóstico de sepse é estabelecido pela presença de uma infecção suspeita ou confirmada e uma disfunção orgânica aguda, que é definida por um aumento de 2 ou mais pontos na escala SOFA (Sequential Organ Failure Assessment). Sinais como hipotensão, alteração do nível de consciência, taquipneia, oligúria, e lactato elevado são indicativos de disfunção orgânica.

Como diferenciar sepse de choque séptico?

A sepse é a disfunção orgânica induzida por infecção. O choque séptico é um subconjunto da sepse onde as anormalidades circulatórias, celulares e metabólicas são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade. É diagnosticado quando, apesar da reposição volêmica adequada, o paciente necessita de vasopressores para manter a PAM ≥ 65 mmHg e apresenta lactato sérico > 2 mmol/L.

Por que o lactato elevado é um marcador importante na sepse?

O lactato elevado (hiperlactatemia) é um marcador de hipoperfusão tecidual e disfunção metabólica celular, indicando que os tecidos não estão recebendo oxigênio suficiente ou não estão utilizando-o adequadamente. É um indicador prognóstico importante e faz parte dos critérios para choque séptico, refletindo a gravidade da disfunção orgânica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo