USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Homem, 45 anos, diabético, encontra-se assintomático, sem alterações no exame físico e com PA de 140 x 92 mmHg. Exames laboratoriais: creatinina = 2,0 mg/dl (taxa de filtração glomerular estimada 40 ml/min), ureia = 80 mg/dl, Na = 139 mmol/L, K = 4,8 mmol/L, glicemia = 190 mg/dl, hemoglobina glicada = 8,4%, relação albumina/creatinina urinária = 1000 mg/g (VR < 30 mg/g). Foi iniciado captopril 25 mg a cada 8 horas. Qual é o exame indispensável a ser solicitado para o próximo retorno?
Início de IECA em paciente com DRC → monitorar potássio sérico para evitar hipercalemia.
O captopril é um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) que pode causar hipercalemia, especialmente em pacientes com doença renal crônica (DRC) e diabetes, como neste caso. A monitorização do potássio sérico é indispensável após o início de um IECA para prevenir essa complicação.
O tratamento da hipertensão arterial e da nefropatia diabética frequentemente envolve o uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs), como o captopril, ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRAs). Esses medicamentos são pilares na proteção renal e cardiovascular, especialmente em pacientes diabéticos com albuminúria, devido à sua capacidade de reduzir a pressão intraglomerular e a proteinúria. No entanto, seu uso não é isento de riscos, e a monitorização cuidadosa é fundamental. Um dos efeitos adversos mais importantes dos IECAs é a hipercalemia, ou seja, o aumento dos níveis séricos de potássio. Isso ocorre porque a inibição da enzima conversora de angiotensina leva à diminuição da produção de angiotensina II, que por sua vez reduz a secreção de aldosterona. A aldosterona é um hormônio crucial para a excreção de potássio pelos rins; sua deficiência resulta na retenção de potássio. O risco de hipercalemia é significativamente maior em pacientes com doença renal crônica (DRC), diabetes mellitus e naqueles que usam outros medicamentos que afetam o metabolismo do potássio. No caso apresentado, o paciente é diabético, tem DRC (TFG estimada de 40 ml/min) e macroalbuminúria, fatores que o colocam em alto risco para hipercalemia com o início do captopril. Embora o potássio inicial esteja normal (4,8 mmol/L), a monitorização rigorosa do potássio sérico no próximo retorno é indispensável para detectar precocemente qualquer elevação e ajustar a terapia, prevenindo arritmias cardíacas potencialmente fatais. Outros exames como creatinina e TFG também devem ser monitorados para avaliar a função renal, mas o potássio é a prioridade imediata devido ao risco agudo.
Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs) reduzem a produção de angiotensina II, o que diminui a secreção de aldosterona. A aldosterona é responsável pela excreção de potássio nos túbulos renais, então sua redução leva à retenção de potássio e hipercalemia.
Pacientes com doença renal crônica, diabetes mellitus, insuficiência cardíaca, idosos e aqueles em uso concomitante de diuréticos poupadores de potássio ou AINEs têm maior risco de desenvolver hipercalemia com IECAs.
A relação albumina/creatinina urinária de 1000 mg/g indica macroalbuminúria grave, um marcador de nefropatia diabética avançada e um fator de risco para progressão da doença renal e complicações cardiovasculares.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo