Pé Diabético Infectado: Conduta Inicial e Manejo

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 60 anos, diabético descompensado, apresenta lesão infectada com necrose no primeiro dedo do pé direito, associado a sinais de celulite na região. Qual é a conduta inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Indicar tratamento conservador com curativos locais e antibioticoterapia oral, uma vez que a infecção está limitada ao primeiro dedo.
  2. B) Realizar amputação do primeiro dedo imediatamente para evitar disseminação e iniciar antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro.
  3. C) Internar o paciente para controle glicêmico rigoroso, antibioticoterapia intravenosa e debridamento cirúrgico de tecido necrótico.
  4. D) Prescrever antibióticos de uso tópico e orientar curativos diários para monitorar a evolução ambulatorialmente.

Pérola Clínica

Pé diabético + Necrose + Celulite → Internação + Controle Glicêmico + Antibiótico IV + Desbridamento.

Resumo-Chave

Lesões necróticas infectadas em diabéticos são emergências cirúrgicas e metabólicas que exigem desbridamento imediato e estabilização glicêmica para evitar amputações maiores.

Contexto Educacional

O pé diabético é uma das complicações mais debilitantes do Diabetes Mellitus, resultando de uma combinação de neuropatia, doença arterial periférica e imunopatia. A presença de celulite e necrose indica uma infecção profunda que pode envolver tendões e ossos (osteomielite). O manejo inicial deve ser sempre hospitalar para garantir a administração de antibióticos que cubram cocos Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios. A avaliação da perfusão arterial (através do índice tornozelo-braquial ou Doppler) também é fundamental, pois a revascularização pode ser necessária para o sucesso do tratamento cirúrgico e salvamento do membro.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade no tratamento do pé diabético com necrose?

A prioridade é a tríade: controle da infecção (antibioticoterapia de amplo espectro), controle metabólico (insulinoterapia para normalizar a glicemia) e controle cirúrgico (desbridamento de tecidos desvitalizados). A necrose atua como foco infeccioso persistente e deve ser removida para permitir a ação dos antibióticos e a cicatrização.

Por que o controle glicêmico é tão importante na infecção?

A hiperglicemia prejudica a função dos leucócitos (quimiotaxia e fagocitose), dificultando o combate à infecção. Além disso, o estado infeccioso gera estresse metabólico que eleva ainda mais a glicemia, criando um ciclo vicioso. O controle rigoroso com insulina intravenosa ou subcutânea escalonada é essencial no ambiente hospitalar.

Quando indicar amputação imediata?

A amputação imediata (como a do primeiro dedo mencionada na alternativa B) pode ser necessária, mas a conduta inicial completa envolve a internação para estabilização e avaliação da extensão da lesão. O desbridamento cirúrgico é o primeiro passo; a decisão pela amputação formal do raio ou do pododáctilo ocorre após a delimitação da viabilidade tecidual e avaliação vascular.

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