Tratamento da Erisipela e Manejo de Portas de Entrada

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Um homem de 46 anos de idade compareceu a consulta médica na Unidade Básica de Saúde relatando febre alta e calafrios que se iniciaram durante a noite. Além disso, descreve aparecimento de dor na perna esquerda. Ele apresentava antecedentes de varizes e edema crônico nos membros inferiores. Ao exame físico apresenta: temperatura axilar = 39°C, PA = 140 x 90 mmHg e FC = 100 bpm. Além disso, observam-se extenso eritema, edema e aumento da temperatura no membro inferior esquerdo, com dermatofitose (Tinea pedis), manifestando-se como descamação e fissuras interdigitais no pé esquerdo. No centro da lesão, visualiza-se uma área de rubor mais intensa com formação de flictena. Diante do quadro apresentado, qual seria o tratamento mais indicado?

Alternativas

  1. A) Repouso e elevação do membro inferior esquerdo, uso de anti-inflamatórios não hormonais e aplicação de amicacina 500 mg via intramuscular de 12/12 horas.
  2. B) Manter deambulação normal para evitar trombose venosa, uso de sulfametoxazol + trimetopim, 2 comprimidos de 12/12 horas, tratamento das dermatofitoses com mupirocina.
  3. C) Repouso e elevação do membro inferior esquerdo, uso de penicilina G - 1 a 2 milhões de unidades por via endovenosa de 4/4 horas, e aplicação de miconazol para tratamento da dermatofitose.
  4. D) Manter deambulação normal para evitar trombose venosa, aplicação de penicilina benzatina 1.2 milhões UI intramuscular, e uso de mupirocina 2% sobre a área comprometida e sobre as lesões interdigitais por 3 dias.

Pérola Clínica

Erisipela → Febre alta + placa eritematosa delimitada + tratar porta de entrada (Tinea pedis).

Resumo-Chave

A erisipela é uma infecção cutânea superficial, geralmente causada pelo Streptococcus pyogenes, que requer antibioticoterapia sistêmica (Penicilina) e manejo rigoroso da porta de entrada para evitar recidivas.

Contexto Educacional

A erisipela é uma celulite superficial com envolvimento linfático proeminente. Clinicamente, manifesta-se com início súbito de febre, calafrios e uma placa eritematosa, quente e dolorosa, com bordas nítidas e elevadas. Fatores de risco incluem linfedema, obesidade, insuficiência venosa e soluções de continuidade na pele. O tratamento padrão-ouro para casos moderados a graves com sintomas sistêmicos é a Penicilina G Cristalina endovenosa. A elevação do membro é uma medida adjuvante crítica. A presença de flictenas (bolhas) indica uma inflamação intensa, mas não necessariamente uma infecção por Staphylococcus, mantendo-se a indicação de cobertura para Streptococcus.

Perguntas Frequentes

Qual o agente etiológico mais comum na erisipela?

O principal agente etiológico da erisipela é o Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Diferente da celulite, que pode ser causada por Staphylococcus aureus, a erisipela tem uma predileção por vasos linfáticos superficiais e apresenta bordas bem demarcadas. O tratamento de escolha envolve penicilinas devido à alta sensibilidade do estreptococo a essa classe de antibióticos.

Por que o repouso e a elevação do membro são indicados?

O repouso e a elevação do membro afetado acima do nível do coração são fundamentais para reduzir o edema inflamatório e melhorar a drenagem linfática e venosa. Como muitos pacientes com erisipela possuem insuficiência venosa ou linfedema prévio, essas medidas aceleram a resolução do processo inflamatório e reduzem a dor local.

Como tratar a porta de entrada na erisipela?

O tratamento da porta de entrada, como a Tinea pedis (frieira), é obrigatório para prevenir a recorrência. Utilizam-se antifúngicos tópicos (como miconazol ou cetoconazol) nas fissuras interdigitais. Sem o tratamento do foco inicial, o paciente permanece vulnerável a novas invasões bacterianas, especialmente em membros com drenagem linfática já comprometida.

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