Pé Diabético: Diagnóstico e Complicações da Neuropatia

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 67 anos de idade comparece ao ambulatório com queixa de "inflamação" no pé. Nega dor no local. Além disso, também se queixa de redução crônica da sensibilidade nos pés. Ao exame, apresenta a lesão que pode ser vista na imagem a seguir, a qual tem calor e eritema locais: Qual é a doença de base que o paciente tem que causou as alterações clínicas presentes no caso descrito?

Alternativas

  1. A) Lúpus eritematoso sistêmico
  2. B) Hipotireoidismo
  3. C) Diabetes
  4. D) Osteoartrite

Pérola Clínica

Lesão no pé com calor, eritema e redução de sensibilidade em idoso = suspeitar de pé diabético neuropático.

Resumo-Chave

A descrição de uma lesão no pé com calor, eritema, ausência de dor e redução crônica da sensibilidade em um paciente idoso é altamente sugestiva de pé diabético, uma complicação comum do Diabetes Mellitus. A neuropatia diabética periférica leva à perda da sensibilidade protetora, predispondo a traumas e infecções que podem evoluir para úlceras e osteomielite, mesmo sem dor.

Contexto Educacional

O pé diabético é uma das complicações crônicas mais devastadoras do Diabetes Mellitus (DM), caracterizada por infecção, ulceração ou destruição de tecidos profundos, associada a anormalidades neurológicas e/ou doença vascular periférica nos membros inferiores. Sua prevalência é alta em pacientes diabéticos, e é a principal causa de amputações não traumáticas. A fisiopatologia do pé diabético é multifatorial, envolvendo principalmente a neuropatia diabética periférica (sensitiva, motora e autonômica) e a doença arterial periférica (DAP). A neuropatia sensitiva leva à perda da sensibilidade protetora, impedindo o paciente de perceber traumas e pressões. A neuropatia motora causa atrofia muscular e deformidades (ex: dedos em garra), alterando a biomecânica do pé e criando pontos de pressão. A neuropatia autonômica afeta a regulação do fluxo sanguíneo e da sudorese, tornando a pele seca e propensa a fissuras. A DAP compromete a cicatrização de feridas e aumenta o risco de infecção. O diagnóstico é clínico, baseado na história (DM de longa data, queixas de parestesias ou dormência) e exame físico (perda de sensibilidade ao monofilamento, pulsos diminuídos ou ausentes, deformidades, lesões tróficas). O tratamento é complexo e multidisciplinar, incluindo controle glicêmico, desbridamento de úlceras, antibioticoterapia para infecções, revascularização se houver isquemia e cuidados com os pés. A prevenção, através do exame regular dos pés e educação do paciente, é a medida mais eficaz para reduzir a incidência de úlceras e amputações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento do pé diabético?

Os principais fatores são a neuropatia diabética (perda da sensibilidade protetora e disautonomia), a doença arterial periférica (DAP, que causa isquemia) e a deformidade do pé (devido à artropatia de Charcot ou outras alterações).

Por que a ausência de dor é um sinal preocupante no pé diabético?

A ausência de dor é um sinal da neuropatia diabética periférica, que impede o paciente de perceber traumas, pressões excessivas ou infecções. Isso pode levar ao agravamento de lesões sem que o paciente procure ajuda médica precocemente.

Como é feito o rastreamento e prevenção do pé diabético?

O rastreamento envolve o exame anual dos pés para avaliar sensibilidade (monofilamento de Semmes-Weinstein), pulsos, deformidades e lesões. A prevenção inclui controle glicêmico rigoroso, educação do paciente sobre cuidados com os pés e uso de calçados adequados.

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