CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2011
Homem de 25 anos de idade, com perda visual bilateral súbita, associada a escotomas centrais e paracentrais e fotopsias. O segmento anterior apresenta leve reação de câmara anterior e vitreíte moderada. O exame fundoscópico e a angiografia fluoresceínica revelam os seguintes achados:Após 14 dias, houve resolução espontânea dessas lesões. Levando-se em conta a forma de apresentação, a epidemiologia, o quadro clínico e a evolução, qual o provável diagnóstico?
Lesões placoides amareladas + resolução rápida (2-4 semanas) + adulto jovem = APMPPE.
A APMPPE é uma coroidopatia inflamatória aguda caracterizada por múltiplas lesões sub-retinianas cremosas que causam perda visual súbita, mas apresentam prognóstico visual excelente com resolução espontânea.
A Epiteliopatia Pigmentária Placoide Multifocal Posterior Aguda (APMPPE) faz parte do espectro das 'White Dot Syndromes'. Sua fisiopatologia exata ainda é debatida, mas acredita-se que envolva uma hipoperfusão primária dos lóbulos da coriocapilar, levando a alterações secundárias no epitélio pigmentado da retina (EPR). O diagnóstico é eminentemente clínico e angiográfico. A diferenciação com outras entidades como a Síndrome dos Múltiplos Pontos Brancos Evanescentes (MEWDS) é feita pela morfologia das lesões (placoides na APMPPE vs pontos minúsculos na MEWDS) e pela localização. O manejo é geralmente observacional, reservando-se corticoides sistêmicos apenas para casos com envolvimento foveal grave ou complicações neurológicas.
Na fase aguda, a APMPPE apresenta um padrão clássico de 'block early, stain late' (hipofluorescência precoce por bloqueio e hiperfluorescência tardia por impregnação). A hipofluorescência inicial ocorre devido ao edema do epitélio pigmentado da retina (EPR) e possível hipoperfusão coroidiana, enquanto a coloração tardia reflete o dano tecidual e acúmulo de contraste nas lesões.
Afeta tipicamente adultos jovens (20-40 anos), sem preferência por sexo. Frequentemente há um relato de pródromo viral (síndrome gripal) precedendo os sintomas oculares. A perda visual é súbita e bilateral (embora possa ser assimétrica), mas a recuperação funcional costuma ser excelente, ocorrendo espontaneamente em poucas semanas, restando apenas alterações pigmentares residuais.
Embora seja primariamente ocular, a APMPPE pode raramente estar associada a vasculites do sistema nervoso central (SNC). Pacientes que apresentam cefaleia persistente ou sinais neurológicos após o diagnóstico ocular devem ser investigados com neuroimagem para excluir vasculite cerebral, que é uma complicação grave, embora incomum.
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