Benzenismo: Diagnóstico Ocupacional e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Um homem com 45 anos de idade, casado, procura a Unidade Básica de Saúde queixando se de que, há 6 meses, tem sentido cansaço e fadiga progressivos, com cefaleia intermitente, embaçamento visual e vertigem. Relata que, há 9 meses, mudou de emprego e, atualmente, trabalha em posto de gasolina. No prontuário do paciente, observa-se que houve diagnóstico anterior de anemia, tendo-lhe sido prescrito sulfato ferroso por 3 meses. Com relação a esse episódio, o paciente refere ter aderido ao tratamento, sem melhora da sintomatologia. Ao exame físico, não são encontradas alterações adicionais. Foi-lhe solicitado novo hemograma e agendado retorno após uma semana, quando o paciente trouxe o exame com os seguintes resultados: Diante desse quadro clínico, o diagnóstico e o plano terapêutico adequados são:

Alternativas

  1. A) Benzenismo; afastar o paciente do trabalho e realizar dois hemogramas com intervalo de 15 dias.
  2. B) Intoxicação por organofosforados; afastar o paciente do trabalho e referenciar o caso ao neurologista.
  3. C) Síndrome mielodisplásica; solicitar novo hemograma em 7 dias e encaminhar o paciente ao hematologista.
  4. D) Anemia aplásica; encaminhar o paciente ao serviço de pronto atendimento como uma emergência médica.

Pérola Clínica

Frentista + Citopenias + Sintomas neurológicos/fadiga → Afastar e investigar Benzenismo.

Resumo-Chave

O benzenismo é uma intoxicação crônica ocupacional que afeta o sistema hematopoiético, exigindo afastamento imediato da exposição e monitoramento rigoroso do hemograma.

Contexto Educacional

O benzenismo é uma condição grave de saúde pública e ocupacional. O benzeno é um hidrocarboneto aromático presente na gasolina e em diversos processos industriais. Sua absorção ocorre principalmente por via inalatória e cutânea. No Brasil, a vigilância de populações expostas ao benzeno é regulamentada por protocolos estritos que visam detectar precocemente a queda nos níveis de leucócitos, plaquetas ou hemoglobina. A conduta de afastar o trabalhador é fundamental, pois a continuidade da exposição pode levar a danos irreversíveis na medula óssea ou evolução para neoplasias hematológicas. O acompanhamento deve ser feito por equipe multiprofissional, incluindo o médico do trabalho e o hematologista, com notificação compulsória do caso (SINAN) e emissão de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).

Perguntas Frequentes

Quais são as principais alterações hematológicas no benzenismo?

O benzeno é um mielotóxico potente. A alteração mais precoce e comum é a leucopenia (especialmente linfocitopenia ou neutropenia). Com a progressão da exposição, pode ocorrer anemia (muitas vezes macrocítica ou normocítica), trombocitopenia ou até pancitopenia (anemia aplásica). É característico que essas alterações sejam persistentes e não respondam a tratamentos convencionais, como a reposição de ferro, como visto no caso clínico. O benzeno também é um carcinógeno conhecido, associado à Leucemia Mieloide Aguda (LMA).

Como deve ser feito o diagnóstico e a vigilância?

O diagnóstico é eminentemente clínico-ocupacional, baseado na história de exposição (ex: frentistas, trabalhadores de refinarias ou siderúrgicas) e na presença de alterações no hemograma. Não existe um biomarcador de efeito específico para o benzenismo crônico; o ácido trans,trans-mucônico urinário é um indicador de exposição recente, mas não de doença. O protocolo do Ministério da Saúde exige o afastamento imediato da exposição e a realização de hemogramas seriados (geralmente dois com intervalo de 15 dias) para confirmar a persistência das alterações.

Quais são os sintomas não hematológicos da exposição ao benzeno?

Além da toxicidade medular, a exposição crônica ao benzeno pode causar sintomas neuropsicológicos inespecíficos, como cefaleia, tontura, fadiga crônica, irritabilidade, distúrbios do sono e embaçamento visual. Esses sintomas compõem a síndrome de intoxicação crônica. O reconhecimento desses sinais em um trabalhador de posto de gasolina, somado à história de anemia que não melhora com sulfato ferroso, deve levantar imediatamente a suspeita de benzenismo.

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