Delirium em Idosos: Reconhecimento e Manejo no PS

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 81 anos de idade, com antecedentes de osteoporose, hipertensão e diabetes mellitus, no departamento de emergência, com dor em membro inferior direito, após queda da própria altura em casa. Feita radiografia de fêmur, que evidencia fratura de colo de fêmur direito. Internado para aguardar correção cirúrgica da fratura. Após oito horas evolui com desorientação têmpora-espacial, mantendo-se calmo, mas referindo que ''está num hospício'' e que ''os policiais o estão vigiando''. Aponte a hipótese diagnóstica:

Alternativas

  1. A) Demência vascular acelerada
  2. B) Embolia gordurosa
  3. C) Delirium
  4. D) Hipovascularização cerebral traumática

Pérola Clínica

Idoso com fratura, comorbidades, desorientação aguda e flutuante → Delirium, investigar causas precipitantes.

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio da atenção e da consciência, comum em idosos hospitalizados, especialmente após traumas ou cirurgias. Sua identificação precoce é crucial para investigar e tratar as causas subjacentes, que podem ser clínicas ou ambientais.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e reversível, caracterizada por uma perturbação da atenção e da consciência, com alterações cognitivas adicionais. É particularmente prevalente em pacientes idosos hospitalizados, especialmente aqueles com múltiplas comorbidades, após cirurgias ou traumas, como uma fratura de colo de fêmur. A incidência pode chegar a 50% em pacientes idosos submetidos a cirurgias ortopédicas. Os fatores de risco para delirium são multifatoriais e incluem idade avançada, demência pré-existente, múltiplas comorbidades (diabetes, hipertensão), desidratação, infecções, dor não controlada, uso de múltiplos medicamentos (polifarmácia), privação de sono e alterações ambientais (hospitalização). O quadro clínico é flutuante, podendo variar de hipoativo (apatia, letargia) a hiperativo (agitação, alucinações), como no caso apresentado, onde o paciente refere estar em um 'hospício' e ser 'vigiado'. O diagnóstico precoce e o manejo do delirium são cruciais para evitar desfechos adversos, como aumento da morbidade, mortalidade, tempo de internação e institucionalização. O tratamento envolve a identificação e correção das causas subjacentes (ex: infecção, desidratação, dor), otimização do ambiente (iluminação, orientação temporal), mobilização precoce e, em casos de agitação grave, uso cauteloso de antipsicóticos em baixas doses. A prevenção é a melhor abordagem, focando na identificação de pacientes de risco e na implementação de medidas não farmacológicas.

Perguntas Frequentes

Quais são as características principais do delirium em idosos?

O delirium em idosos é caracterizado por um distúrbio agudo e flutuante da atenção e da consciência, com alteração da cognição (memória, orientação, linguagem). Pode se manifestar como hipoativo (letargia), hiperativo (agitação) ou misto, e frequentemente piora à noite.

Quais fatores de risco predispõem idosos ao delirium após uma queda e fratura?

Idosos com comorbidades como osteoporose, hipertensão e diabetes, que sofrem uma queda e fratura (especialmente de fêmur), estão sob alto risco de delirium. A dor, o estresse do trauma, a hospitalização, a privação de sono e o uso de medicamentos (analgésicos, sedativos) são fatores precipitantes comuns.

Como diferenciar delirium de demência ou depressão?

O delirium se distingue da demência pelo início agudo, curso flutuante e alteração primária da atenção. A demência tem início insidioso e curso progressivo. Da depressão, o delirium se diferencia pela alteração da consciência e cognição, que não são características centrais da depressão, embora possam coexistir.

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