Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Um homem de 45 anos de idade, com antecedente de HAS e DM2, em uso de hidroclorotiazida 25 mg/dia, enalapril 40 mg/dia, anlodipino 10 mg/dia, metformina 2.550 mg/dia e gliclazida 60 mg/dia, chegou ao ambulatório, para consulta de retorno, com relato de que, há dois dias, tem sentido dor em primeiro pododáctilo à direita. Ao exame físico, foram observados hiperemia, edema e dor no local. Realizou uma artrocentese, que revelou 9.600 leucócitos e cristais com forte birrefringência negativa à luz polarizada, além de cultura negativa.Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a medicação do paciente que deverá ser imediatamente descontinuada.
Gota aguda + uso de diurético tiazídico → Descontinuar hidroclorotiazida devido à hiperuricemia.
Diuréticos tiazídicos, como a hidroclorotiazida, são conhecidos por induzir hiperuricemia e precipitar crises de gota, pois diminuem a excreção renal de ácido úrico. Em um paciente com crise gotosa aguda, a descontinuação do diurético é uma medida importante no manejo.
A gota é uma doença inflamatória causada pelo depósito de cristais de monourato de sódio em articulações e tecidos, resultante de hiperuricemia. A crise aguda de gota, frequentemente chamada de podagra quando afeta o hálux, manifesta-se com dor intensa, edema, hiperemia e calor local. É uma condição comum, especialmente em homens de meia-idade e idosos, e sua prevalência tem aumentado devido a fatores como obesidade, síndrome metabólica e uso de certos medicamentos. A fisiopatologia envolve a supersaturação de ácido úrico no sangue, levando à formação e deposição de cristais. Fatores como dieta rica em purinas, consumo de álcool e uso de medicamentos que diminuem a excreção de ácido úrico (como diuréticos tiazídicos e de alça) podem precipitar crises. O diagnóstico é confirmado pela identificação de cristais de monourato de sódio com birrefringência negativa no líquido sinovial. O manejo da crise aguda visa aliviar a dor e a inflamação, utilizando AINEs, colchicina ou corticosteroides. A longo prazo, o tratamento foca na redução dos níveis de ácido úrico para prevenir novas crises, com medicamentos como alopurinol ou febuxostate. É crucial revisar a medicação do paciente e identificar agentes que possam estar contribuindo para a hiperuricemia, como a hidroclorotiazida, e considerar sua descontinuação ou substituição, se clinicamente apropriado.
Diuréticos tiazídicos (como hidroclorotiazida), diuréticos de alça (furosemida), aspirina em baixas doses, ciclosporina e pirazinamida são medicamentos conhecidos por aumentar os níveis de ácido úrico e precipitar crises de gota.
A artrocentese em uma crise de gota tipicamente revela cristais de monourato de sódio com forte birrefringência negativa à luz polarizada, além de um elevado número de leucócitos (geralmente 2.000-60.000/mm³), predominantemente neutrófilos.
O tratamento inicial da crise aguda de gota inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), colchicina ou corticosteroides. É importante também identificar e, se possível, descontinuar medicamentos que possam estar contribuindo para a hiperuricemia.
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