Quilotórax: Diagnóstico e Causas de Derrame Pleural

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 17 anos, com adenomegalia, perda de peso e febre há 1 mês. Exame físico: linfonodos palpáveis em cadeias cervicais, axilares e inguinais, com 2 a 3 cm de diâmetro. Abdome: indolor, fígado e baço palpáveis. Ap. respiratório e cardiovascular sem alterações.Radiografia da admissão hospitalar é mostrada na figura A. Nova radiografia, após 20 dias de internação, é mostrada na figura B. Foram realizadas biópsia de linfonodo cervical e toracocentese diagnóstica. Líquido pleural: aspecto turvo e esbranquiçado; leucócitos: 4363 células/mm³ (VR < 200) (35% de 63% linfocitos); pH: 7.44; LDH: 138 L: proteínas totais: 4,29 g/dL; colesterol total: 54,1 mg/dL; triglicérides: 143 mg/dL. Relação proteína líquido pleural/sangue = 0,58; relação LDH liquido pleural/sangue = 0.53. Qual é o mecanismo fisiopatológico mais provável para a ocorrência de derrame pleural?

Alternativas

  1. A) Inflamação da pleura.
  2. B) Obstrução de drenagem linfática.
  3. C) Redução da pressão oncótica.
  4. D) Aumento na pressão hidrostática.

Pérola Clínica

Derrame pleural turvo/esbranquiçado + triglicerídeos > 110 mg/dL + linfadenopatia = Quilotórax por obstrução linfática (ex: linfoma).

Resumo-Chave

O quilotórax é caracterizado pelo acúmulo de linfa no espaço pleural, geralmente devido à ruptura ou obstrução do ducto torácico. A presença de triglicerídeos elevados no líquido pleural (>110 mg/dL) e o aspecto turvo/leitoso são diagnósticos. Em jovens com sintomas B e adenomegalia, linfoma é uma causa comum.

Contexto Educacional

O derrame pleural é um achado comum na prática clínica, e sua investigação diagnóstica é fundamental. Neste caso, as características do paciente (sintomas B, adenomegalia, hepatoesplenomegalia) sugerem uma doença linfoproliferativa, como o linfoma. A análise do líquido pleural, com seu aspecto turvo e esbranquiçado, e os níveis elevados de triglicerídeos (143 mg/dL, bem acima do ponto de corte de 110 mg/dL), são patognomônicos de quilotórax. O quilotórax ocorre devido ao acúmulo de linfa no espaço pleural, geralmente por lesão ou obstrução do ducto torácico. Em pacientes com linfoma, a compressão extrínseca ou a invasão do ducto torácico pelos linfonodos aumentados são mecanismos comuns. Outras causas incluem trauma torácico, cirurgias cardíacas ou torácicas e malformações congênitas. A linfocitose no líquido pleural também reforça a etiologia linfática ou crônica. A diferenciação do quilotórax de outras causas de derrame pleural é crucial para o manejo. Enquanto derrames por inflamação (pneumonia, tuberculose) ou neoplasias podem ser exudatos com linfocitose, o quilotórax se destaca pelos triglicerídeos. A redução da pressão oncótica (hipoalbuminemia) ou aumento da pressão hidrostática (insuficiência cardíaca) geralmente causam transudatos. O tratamento do quilotórax depende da causa subjacente e pode envolver dieta com triglicerídeos de cadeia média, drenagem pleural, octreotide ou, em casos refratários, ligadura do ducto torácico ou pleurodese.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do líquido pleural no quilotórax?

O líquido pleural no quilotórax é tipicamente turvo e esbranquiçado (leitoso), com contagem elevada de linfócitos e, crucialmente, níveis de triglicerídeos acima de 110 mg/dL, confirmando o diagnóstico.

Qual a principal causa de quilotórax em pacientes jovens com adenomegalia?

Em pacientes jovens com adenomegalia, perda de peso e febre (sintomas B), a principal causa de quilotórax é a obstrução da drenagem linfática por linfoma, que pode comprimir ou invadir o ducto torácico.

Como diferenciar quilotórax de outras causas de derrame pleural?

O quilotórax é diferenciado pela análise bioquímica do líquido pleural, especificamente pelos níveis elevados de triglicerídeos. Outras causas de derrame pleural podem ser inflamatórias, por aumento da pressão hidrostática ou redução da pressão oncótica, mas não apresentam essa característica lipídica.

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