CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2020
Homem, 72 anos de idade, chegou no pronto-socorro com quadro de ascite, que foi puncionada e o gradiente albumina-soro ascítico foi 0,9. Qual a etiologia mais provável desse quadro clínico?
Ascite + GASA < 1,1 g/dL (baixo) → Sugere ascite não relacionada à hipertensão portal. Tuberculose é causa comum.
Um GASA (Gradiente Albumina Soro-Ascite) de 0,9 g/dL é considerado baixo (< 1,1 g/dL), indicando que a ascite não é causada por hipertensão portal. Nesse cenário, etiologias como tuberculose peritoneal, carcinomatose peritoneal ou pancreatite são mais prováveis, sendo a tuberculose uma causa importante a ser considerada, especialmente em pacientes idosos ou imunocomprometidos.
A ascite é o acúmulo patológico de líquido na cavidade peritoneal, sendo um achado comum em diversas condições clínicas. A avaliação inicial da ascite inclui a paracentese diagnóstica, e um dos parâmetros mais importantes analisados no líquido ascítico é o Gradiente Albumina Soro-Ascite (GASA). O GASA é um indicador crucial para diferenciar ascite causada por hipertensão portal (GASA ≥ 1,1 g/dL) de outras etiologias (GASA < 1,1 g/dL). No caso apresentado, um GASA de 0,9 g/dL é considerado baixo, o que exclui a hipertensão portal como causa principal. Isso direciona a investigação para condições que causam ascite por outros mecanismos, como inflamação peritoneal ou extravasamento de linfa. A tuberculose peritoneal é uma causa importante de ascite com GASA baixo, especialmente em regiões endêmicas ou em pacientes com fatores de risco como idade avançada ou imunossupressão. Outras causas incluem carcinomatose peritoneal, pancreatite e síndrome nefrótica. Para residentes, a correta interpretação do GASA é fundamental para guiar o diagnóstico diferencial da ascite e evitar atrasos no tratamento. A suspeita de tuberculose peritoneal exige exames específicos do líquido ascítico, como pesquisa de BAAR, cultura para micobactérias e dosagem de adenosina deaminase (ADA), além de biópsia peritoneal em casos selecionados. Um raciocínio clínico estruturado baseado no GASA otimiza a investigação e melhora os desfechos do paciente.
O GASA é calculado subtraindo a concentração de albumina no líquido ascítico da concentração de albumina no soro (Albumina Soro - Albumina Ascite). Um valor de corte de 1,1 g/dL é usado para diferenciar ascite por hipertensão portal (GASA ≥ 1,1) de ascite não relacionada à hipertensão portal (GASA < 1,1).
As principais causas de ascite com GASA alto (≥ 1,1 g/dL) são cirrose hepática, insuficiência cardíaca congestiva, síndrome de Budd-Chiari e trombose de veia porta.
Outras causas de ascite com GASA baixo (< 1,1 g/dL) incluem carcinomatose peritoneal, pancreatite, síndrome nefrótica, peritonite bacteriana espontânea (em alguns casos) e mixedema.
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