ENARE/ENAMED — Prova 2026
Homem de 30 anos chega para consulta em Unidade Básica de Saúde (UBS) devido à astenia e úlcera no pênis. Trabalha como profissional do sexo e nem sempre faz uso de preservativo. Há cerca de 3 meses, vem notando emagrecimento (10 kg no período), astenia, febre baixa sem horário fixo e, há 1 semana, observou o aparecimento de úlcera dolorosa no pênis. Nega secreção uretral. Ao exame físico, apresenta-se emagrecido, com uma lesão ulcerada com bordas elevadas sem secreção de aproximadamente 3 centímetros logo abaixo da glande, rasa e de base mole, além de linfonodomegalia inguinal direita, com sinais inflamatórios, sem fistulização. Nesse caso, a investigação, o achado esperado e o tratamento referentes à úlcera devem ser, respectivamente,
Úlcera genital dolorosa + linfonodomegalia inflamatória + sintomas sistêmicos → Sífilis ou outras DSTs = VDRL e tratamento com penicilina.
A apresentação clínica de úlcera genital dolorosa com linfonodomegalia inguinal inflamatória, associada a sintomas sistêmicos como astenia, emagrecimento e febre baixa, em um paciente com histórico de exposição sexual de risco, sugere fortemente uma infecção sexualmente transmissível (IST). Embora a úlcera dolorosa e base mole possa sugerir cancro mole, a presença de sintomas sistêmicos arrastados (3 meses de emagrecimento e astenia) levanta a suspeita de sífilis, que pode ter úlceras dolorosas atípicas ou estar em fase secundária com outras manifestações. O VDRL é o teste inicial para sífilis.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode se manifestar em diferentes estágios clínicos. A sífilis primária é caracterizada pelo cancro duro, uma úlcera geralmente indolor. A sífilis secundária, que pode surgir semanas a meses após a primária, apresenta manifestações cutâneas (roséola sifilítica, condiloma plano), linfadenopatia generalizada e sintomas sistêmicos como febre, astenia, mal-estar e perda de peso. A úlcera dolorosa descrita no enunciado, embora mais típica de cancro mole ou herpes, em conjunto com os sintomas sistêmicos arrastados, levanta forte suspeita de sífilis, que pode ter apresentações atípicas ou estar em fase secundária. O diagnóstico laboratorial da sífilis é feito por testes não treponêmicos (como o VDRL) e treponêmicos (como FTA-Abs ou TP-PA). O tratamento de escolha para a sífilis em todas as suas fases é a benzilpenicilina benzatina, administrada por via intramuscular. A dosagem e o esquema terapêutico variam de acordo com o estágio da doença e a presença de neurosífilis. O acompanhamento sorológico com VDRL é essencial para monitorar a resposta ao tratamento.
As principais causas incluem cancro mole (Haemophilus ducreyi), herpes genital (vírus herpes simplex) e, atipicamente, sífilis (Treponema pallidum), embora o cancro duro clássico seja indolor.
O VDRL (Veneral Disease Research Laboratory) é um teste não treponêmico utilizado para triagem e acompanhamento da sífilis. Ele detecta anticorpos anticardiolipina, que são produzidos em resposta à infecção por Treponema pallidum.
A benzilpenicilina benzatina é o tratamento de escolha para todas as fases da sífilis, com a dosagem e o número de doses variando conforme o estágio da doença.
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