Escorbuto: Diagnóstico e Tratamento da Deficiência de Vitamina C

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 55 anos, alcoolista crônico, procura a emergência do Hospital Nova Esperança com queixa de vômitos de sangue. Após análise minuciosa, incluindo lavagem gástrica sem a presença de sangramento ativo, e analisando a cavidade oral em busca de origem do sangramento observamos tratar-se de sangramento gengival significativo, e na pele observamos erupções hemorrágicas perifoliculares em membros inferiores. Ele refere muita astenia, e no seu prontuário consta atendimento anterior com hemartrose evacuado no serviço há 6 meses, desde então sem mais idas ao pronto socorro; nega uso de medicações ou outras comorbidades. O laboratório revela uma contagem de plaquetas de 250 000, uma atividade de protrombina de 100% e um INR de 0,9. Qual a terapêutica recomendada para o caso em questão?

Alternativas

  1. A) Folato.
  2. B) Niacina.
  3. C) Tiamina.
  4. D) Ácido ascórbico.
  5. E) Vitamina K.

Pérola Clínica

Alcoolista crônico + sangramento gengival + erupções perifoliculares + hemartrose → Escorbuto = Reposição de ácido ascórbico.

Resumo-Chave

O quadro clínico clássico de escorbuto, causado pela deficiência de vitamina C, é fortemente sugerido pela tríade de sangramento gengival, erupções perifoliculares e hemartrose, especialmente em pacientes com fatores de risco como alcoolismo crônico. A vitamina C é essencial para a síntese de colágeno, e sua deficiência leva a fragilidade capilar e tecidual.

Contexto Educacional

O escorbuto, causado pela deficiência grave de vitamina C (ácido ascórbico), é uma doença histórica que ainda pode ser encontrada em populações vulneráveis, como idosos, alcoolistas crônicos, indivíduos com dietas restritivas e desnutridos. A vitamina C é um cofator essencial para a hidroxilação da prolina e lisina, etapas cruciais na síntese de colágeno, uma proteína fundamental para a integridade dos vasos sanguíneos, pele, ossos e cartilagens. A apresentação clínica do escorbuto é caracterizada por manifestações hemorrágicas devido à fragilidade capilar e tecidual. Os sinais incluem sangramento gengival, petéquias, equimoses, erupções hemorrágicas perifoliculares (com pelos em saca-rolhas), hemartroses e sangramentos intramusculares. Outros sintomas inespecíficos como astenia, mialgia e artralgia também são comuns. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e exame físico, e pode ser confirmado pela resposta à suplementação de vitamina C. Testes laboratoriais de coagulação são tipicamente normais. O tratamento do escorbuto consiste na reposição oral de ácido ascórbico, geralmente em doses de 100-300 mg/dia por várias semanas, até a resolução dos sintomas. A melhora clínica, especialmente dos sangramentos, é geralmente rápida. É crucial identificar e corrigir os fatores de risco subjacentes para prevenir recorrências. Residentes devem estar atentos a essa condição em pacientes com fatores de risco e sintomas sugestivos, evitando diagnósticos errôneos de outras coagulopatias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do escorbuto?

O escorbuto manifesta-se com sangramento gengival, erupções hemorrágicas perifoliculares, equimoses, petéquias, hemartroses, astenia e dor musculoesquelética. Em casos avançados, pode haver anemia e cicatrização deficiente.

Qual é a causa mais comum da deficiência de vitamina C em adultos?

A deficiência de vitamina C é frequentemente associada a dietas restritivas, desnutrição, alcoolismo crônico, tabagismo e algumas condições médicas que afetam a absorção ou aumentam a demanda.

Como diferenciar o sangramento do escorbuto de outras coagulopatias?

No escorbuto, os testes de coagulação (plaquetas, TP, INR) são geralmente normais, o que ajuda a diferenciá-lo de coagulopatias primárias ou secundárias. O padrão de sangramento (gengival, perifolicular, hemartrose) é também bastante característico.

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