UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Homem, 60a, procura Unidade Básica de Saúde com queixa de edema progressivo de membros inferiores há três semanas. Refere falta de ar há dois anos com piora progressiva nos últimos quatro meses, associada a perda de peso (6 kg). Antecedentes pessoais: tratamento para tuberculose por duas vezes, sendo o último há quatro anos. Trabalhou por 30 anos em produção de cerâmica, parou há dois anos por “fadiga”. Exame físico: cianose de extremidades: PA=112x74 mmHg; FR= 24 irpm; FC=112 bpm; oximetria de pulso (ar ambiente)= 82% em ar ambiente. Pulmões: murmúrio vesicular presente, estertores crepitantes contínuos e grosseiros; Coração: Bulhas rítmicas normofonéticas, sem sopros, Abdome: fígado palpável a 4 cm do rebordo costal direito; Edema simétrico de membros inferiores 3+/4+. Radiograma e tomografia computadorizada de tórax:O DIAGNÓSTICO ETIOLÓGICO É:
Homem 60a, histórico de cerâmica (30a), dispneia, perda de peso, cianose, crepitantes grosseiros, IC direita → Silicose com Cor Pulmonale.
O histórico de trabalho em produção de cerâmica por 30 anos, associado a sintomas respiratórios progressivos, sinais de insuficiência cardíaca direita (edema, hepatomegalia) e cianose, aponta fortemente para Silicose, uma pneumoconiose que pode evoluir para fibrose pulmonar maciça e cor pulmonale.
A silicose é uma pneumoconiose fibrótica progressiva e irreversível, causada pela inalação prolongada de partículas de sílica cristalina livre. É uma doença ocupacional grave, comum em trabalhadores de mineração, construção, jateamento de areia, e, como no caso, produção de cerâmica. A inalação da sílica leva a uma resposta inflamatória crônica nos pulmões, com formação de nódulos silicóticos e fibrose progressiva, que pode evoluir para fibrose pulmonar maciça. Clinicamente, a silicose manifesta-se com dispneia progressiva, tosse e, em estágios avançados, sinais de insuficiência respiratória. Uma complicação grave e comum da silicose avançada é o desenvolvimento de hipertensão pulmonar, que sobrecarrega o ventrículo direito do coração, levando ao cor pulmonale (insuficiência cardíaca direita). O histórico de tuberculose prévia é um achado relevante, pois a silicose aumenta significativamente o risco de reativação ou nova infecção por Mycobacterium tuberculosis (silicotuberculose). O diagnóstico é baseado na história ocupacional detalhada, achados clínicos e exames de imagem (radiografia e tomografia de tórax) que mostram padrões característicos de nódulos e fibrose. O tratamento é de suporte, visando aliviar os sintomas e manejar as complicações, como o cor pulmonale e a tuberculose. A prevenção, através do controle da exposição à sílica no ambiente de trabalho, é a medida mais importante.
O principal fator de risco para silicose é a exposição ocupacional prolongada à sílica cristalina livre, presente em atividades como mineração, construção civil, jateamento de areia, e produção de cerâmica, onde há inalação de poeira contendo sílica.
A silicose causa fibrose pulmonar progressiva, levando à destruição do parênquima pulmonar e do leito vascular, o que resulta em hipertensão pulmonar. A sobrecarga crônica do ventrículo direito devido à hipertensão pulmonar culmina em cor pulmonale, ou insuficiência cardíaca direita.
Pacientes com silicose têm um risco significativamente aumentado de desenvolver tuberculose (silicotuberculose), devido à disfunção dos macrófagos alveolares e à alteração da imunidade pulmonar, o que é um ponto crítico no manejo e acompanhamento desses pacientes.
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